O que é psicoterapia?

        O termo terapia tem sua origem na civilização grega, onde significa cuidado. O cuidado consiste de um procedimento realizado por algum especialista num determinado assunto. Tal procedimento resulta em benéficos ou melhorias para quem o recebe. “Este benefício é, portanto, uma mudança, e uma mudança para melhor”.

        Se em grego, o cuidado quer dizer terapia, em latim chama-se cura. A cura também implica num procedimento para melhorar uma situação. Tanto o cuidado quanto a cura indicam “a direção em que se deseja obter uma transformação”.

        Pois bem, o termo psico de origem grega significava alma, espirito, sangue e respiração. Podemos então traduzir para o português o termo psicoterapia como o cuidado da alma, a cura do espirito, o cuidado ou a cura do sangue ou da respiração.

        Mas do que cuida a psicoterapia? A psicoterapia seria um procedimento que resultaria em benefícios para quem o recebe. A psicoterapia, portanto, beneficia uma mudança na estrutura da alma, espirito, sangue ou respiração de um indivíduo. E como medir o benefício obtido na psicoterapia? Pela mudança ocorrida no beneficiado. E esta mudança só pode ser obtida com a participação ativa do interessado – o paciente.

        A psicoterapia era um método de trabalho usado pela medicina no final do éculo 19 e início do século 20. Esse método se propunha a curar as doenças nervosas por meios psíquicos e não por meios físicos. As doenças mais conhecidas na época eram a histeria, a neurastenia e a melancolia. Mas como saber se o paciente sofria de uma doença nervosa que necessitaria de um tratamento por meios psíquicos e não físicos? De modo geral, uma doença era considerada de origem nervosa se não tivesse causas físicas. A esta doença chamou-se neurose.

        Inicialmente, usou-se a hipnose como a técnica principal do método psicoterapêutico. O hipnotizador operava por meio da sugestão. O hipnotizador dizia ao paciente o que fazer para se liberar dos sintomas que o incomodavam.

 

        Freud chegou à conclusão de que a sugestão do hipnotizador não resolvia o problema do paciente. A sugestão do hipnotizador poderia silenciar o problema ou encobri-lo. Porém, cessada a sugestão, o problema retornava do mesmo jeito, as vezes mais agravado.

        Assim, Freud desaconselhou o uso da sugestão e recomendou o uso da neutralidade e da abstinência no tratamento psicoterapêutico. O dispositivo psicoterapêutico busca chegar aos problemas psíquicos do paciente pelos meios psíquicos. Portanto, ao psicoterapeuta é aconselhado ser neutro e privar-se de sugestionar o paciente.

        A psicoterapia, desde então, passou a ser um tratamento psíquico, cuja principal técnica é uma conversa terapêutica. Mas essa conversa se diferencia das demais conversas mundanas, por se tratar de uma conversa que visa a influir sobre o psíquico do paciente por meios psíquicos.

        Sendo assim, meu caro e minha cara, se você tem pressa, não faça psicoterapia esperando que o psicoterapeuta vá lhe dizer o que fazer para resolver os seus problemas. A psicoterapia é uma pratica artesanal, sutil e singular, pouco adequada “as exigências consumistas de felicidade imediata e sem esforço que marcam nossa sociedade atual”.

        A psicoterapia é composta por vários métodos terapêuticos. Cada método está articulado com uma concepção do que vem a ser o ser humano. Assim, cada método privilegia certos aspectos e exclui outros. E com toda a certeza, esses métodos não podem ser combinados visto que partem de concepções distintas do ser humano.

        Mostramos no post O que é psicologia? que não temos uma psicologia e sim várias psicologias coexistindo lado a lado. Da mesma maneira, existem várias psicoterapias coexistindo lado a lado, fundamentadas em diversas concepções do que vem a ser, ser humano.

 

Referencias

 

MEZAN, Renato. Psicanalise e psicoterapias. Estudos avançados 10 (27), 1996. Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em

 

O que é psicologia?

        Alguns diriam que a psicologia é o estudo da psique, da alma. Entre outros problemas, essa definição coloca a questão de saber-se o que é a alma. Ou aceitar a hipótese de que existe uma alma sem saber-se o que ela seja. Mas essa alma para ser estudada necessita estar encarnada num corpo, portanto, não existe psicologia sem biologia. Então, o que é psicologia?

        É também conhecida a definição de psicologia como o estudo da mente. Essa definição também traz a questão de saber-se o que é a mente. Outra definição quer que a psicologia seja a ciência que estuda o comportamento. Essa também levanta a questão de saber-se o que é o comportamento.

 

A psicologia como ciência natural

        A definição de ciência da alma torna a psicologia dependente de sistemas filosóficos antigos. Nesses sistemas, a alma, a psique, é tida como um ser natural. Um ser natural é algo que existe na natureza. A física trata a alma como a forma do corpo vivo e não como uma substancia independente da matéria.

 

A psicologia como ciência da subjetividade

        O nascimento da psicologia como ciência da mente data do século 18. A realidade do mundo não é o que percebemos. Mas a realidade do mundo depende do sujeito que a experimenta. Nasce a psicologia como ciência da subjetividade, do sujeito que experimenta.

        A psicologia da subjetividade se propõe a estudar a consciência de si ou a ciência do sentido interno. A psicologia tem o sentido de ciência do eu. Os problemas obtidos com essas definições remetem-nos a questão do que seja o sujeito e do que seja o eu.

 

A psicologia como ciência das reações e do comportamento

        A partir do século 19, uma nova psicologia passou a ser constituída. A mente e a subjetividade, antes, determinantes da experiencia, passam a ser o que serve aos órgãos e não mais o que se serve deles.

        Vemos coexistir lado a lado uma psicologia formada por diversas definições de psicologia. Uma psicologia fundamentada em distúrbios mentais, outra psicologia fundamentada numa ciência da patologia dos nervos. Uma psicologia dando ênfase a física do sentido externo, outra psicologia enfatizando o sentido do eu. E uma psicologia definida como o estudo de uma biologia do comportamento humano. Vemos coexistir diversas psicologias.

 

O que é psicologia?

        “Por não poder responder exatamente sobre o que é, tornou-se bastante difícil para o psicólogo responder sobre o que faz” (Canguilhem, 1956).

 

Comportamento e interação

        “A psicologia estuda interações de organismos, vistos como um todo, com seu meio ambiente. A psicologia se ocupa fundamentalmente do homem” (Todorov, 2007).

        Mais uma definição repleta de problemas. Entre tantas questões, é necessário saber-se o que é o homem e o que é esse todo que se observa do organismo.

        “Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação. Se, por acaso, o meio se modifica, formas antigas de comportamento desaparecem enquanto novas consequências produzem novas formas” (Todorov, 2007).

 

Comportamento

        “O comportamento não pode ser entendido isolado do contexto em que ocorre” (Todorov, 2007). O comportamento depende do ambiente em que ocorre. Bem como, o estimulo e a reação dependem do comportamento e do ambiente. Comportamento, ambiente, estimulo e reação são interdependentes. Um não pode ser definido sem referência ao outro.

 

Causa, efeito, contexto e interações

        Percebe-se que a causa que determina um efeito acontece apenas sob certas condições, certo contexto. Se mudarmos as condições, ou seja, as características atuais do contexto, o efeito não seguiria a mesma causa. O contexto também tem características temporais, quer dizer, o contexto é tudo aquilo que ocorre e já ocorreu para que uma causa resulte num certo efeito.

        O contexto ainda pode ser manipulado. Eu posso selecionar algumas variáveis como causa e designar outras como contexto. Eu posso manipular aquilo que observo.

        “Portanto, o termo ‘causa’ tem sentido apenas dentro de uma teoria ou modelo. Não há uma causa real de um dado evento. Há apenas modelos do mundo mais ou menos adequados, e sempre passiveis de modificação” (Todorov, 2007).

        Mas, afinal das contas, o que é psicologia? Nada mais sábio que o dito popular “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” ou “cada caso é um caso” ou ainda “cada um com seu cada um”. Talvez exista tantas psicologias quantas formas de vida. Quando pudermos definir o que é a vida, talvez possamos responder o que é psicologia.

O que é a psicologia? – Duração 2:09

 

Referencias

CANGUILHEM, George. O que é a psicologia? Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em

TODOROV, Joao Claudio. A psicologia como o estudo de interações. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 2007, vol. 23 n. especial, pp. 057-061. Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em