Você não sabe o que é, mas deixa você paralisado

        Você já sentiu aquele frio na barriga, o coração batendo mais forte, parecendo que vai sair pela boca, e a respiração ofegante? Você não sabe o que é, mas deixa você paralisado. Você sente que está plantado no chão e ao mesmo tempo parece que vai explodir como um foguete em direção ao espaço.

        Você não consegue reter nenhum pensamento, nem a sua voz parece ser emitida. Você grita e não ouve a sua voz. Você sente que isso é a tal da ansiedade. Seu coração bate mais rápido que o corriqueiro. Você inspira e expira quase simultaneamente, o oxigênio é acumulado. Você está pronto para explodir.

        A sua circulação sanguínea corre a uma velocidade de avião supersônico, é como tsunami num órgão e deserto em outro. Seus neurônios compartilham sinapses alucinadas. Seus hormônios interagem intensificando a produção de produtos químicos e anticorpos para se defender de um inimigo invisível.

        Você deseja sair de onde está, mas não consegue. Você está imóvel. Você está com medo de perder o controle da situação. Você sente que vai desmaiar. Medo e ansiedade é pouco. Você está em pânico.

        Você percebe que a ansiedade que você sente é um empecilho para você alcançar seus maiores sonhos e objetivos. Será mesmo? Leia o que disse Alfred Hitchcock.

 

“Sorte é tudo… minha sorte na vida foi ser uma pessoa realmente assustada. Eu sou sortudo por ser um medroso, ter um baixo limiar de medo, porque um herói não pode fazer um bom filme de suspense.”

 

        O que será que o Hitchcock fez para conseguir lidar com o seu medo? Hitchcock usou a sua ansiedade ao seu favor. Como ele usou o medo ao seu favor? Parece que nesse caso, ele viveu a sua ansiedade. Quer dizer, ele não negou (fugiu dela, a ignorou, brigou com) a sua ansiedade. Assim, usando a criatividade e a curiosidade para com a sua ansiedade conseguiu transformar o seu medo de forma criativa.

        Agora, imagine se você tivesse em mãos um mapa. Um guia que lhe mostrasse em detalhes o passo-a-passo para lhe tirar desse lugar de dor e sofrimento.

        Um guia cheio de conhecimento de você mesmo. E, depois de algum tempo seguindo esse guia, o seu medo, a sua ansiedade e a falta de conhecimento se transformam em confiança, novos comportamentos e sabedoria para você ser o motorista da sua viagem, para você dirigir a sua vida.

        Você tem agora uma decisão a tomar. Ou continuar parado e paralisado observando seus sonhos e objetivos ficarem cada vez mais distantes. Ou decidir lutar pelo que é seu, pelo que você é. Lutar por você. Mover-se. E seguir o caminho que irá suprir as suas necessidades e orientar você para viver a vida que você sempre sonhou. E tornar você o guia de si mesmo.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        Sim, você decide mudar. Mas como você faz isso?

Quando você não sabe como fazer sozinho

        Como você sabe que você precisa de ajuda? Quando você necessita fazer algo, mas você não sabe como fazer sozinho. Da mesma forma, você precisa de ajuda psicológica, quando você não sabe como fazer sozinho.

        Você sente culpa por algo que fez. Você precisa desfazer a culpa, mas você não sabe como desfazer sozinho. Você está sempre se desculpando pelo que faz. Você necessita parar de se desculpar pelo que faz, mas você não sabe como fazer sozinho. Você se justifica porque esse é o seu jeito – você é assim mesmo! Você precisa fazer diferente, mas você não sabe como fazer sozinho. Você se sente um pobre coitado. Você necessita se sentir mais estimado, mas você não sabe como fazer sozinho. Você tem noção do quanto seus comportamentos prejudicam a sua vida, mas você não sabe como fazer diferente.

        Você percebe que sua vida está limitada em algum aspecto pessoal, interpessoal, social ou financeiro. Você precisa mudar, mas você não sabe como. As coisas não andam. Você necessita fazer as coisas evoluírem na sua vida, mas você não sabe como. Você se sente limitado nas suas ações. Você precisa se libertar de antigos pensamentos, mas você não sabe como. Você não consegue mudar o seu jeito de ser, mas você não sabe como mudar sozinho.

        Então, um ajudante pode fazer alguma coisa com você. Um ajudante pode colaborar com você e ajuda-lo com as suas necessidades. Um ajudante pode ajudar você a expor os seus sentimentos e pensamentos sem julgar. Um ajudante pode ajudar você a compreender que os pensamentos, sentimentos e comportamentos das outras pessoas são diferentes dos seus. Um ajudante pode ajudar você a aprender novos comportamentos. Um ajudante pode ajudar você a se ajudar sem precisar de ajudante.

        Você conquistara mudanças nas suas respostas emocionais e comportamentais proporcionadas pela ajuda psicológica. Você se sentira mais confiante. Você sentira aumento considerável na sua autoestima.

        Você aprendera sobre si mesmo.

Mas como saber se você precisa mesmo de ajuda?

        Imagine que você caminha por uma das tantas calçadas esburacadas da sua cidade sem atentar para os seus buracos. Você pisa num desses buracos, se desestabiliza e cai no chão. Você pode se levantar sozinho. Você pode ficar caído. Você pode pedir ajuda para se levantar. Você aceita ajuda ou você não aceita e se levanta sozinho e segue o seu caminho.

        Você continua a sua caminhada sem atentar para os buracos na calçada. Guiado pelo seu anjo da guarda, você chegara ao seu destino sem mais nenhuma queda. Mas seu anjo também está desatento nesse momento e você queda de novo ao chão. Você pode ficar caído. Você pode se levantar sozinho. Você pode pedir ajuda. Você pode aceitar ajuda ou você não aceita ajuda e se levanta sozinho e vida que segue.

        Você continua a sua caminhada, mais estressado a cada passo. Antes de terminar o quarteirão, você queda outra vez. Você então percebe que é a terceira vez que você cai. Você percebe que você caiu de novo e se pergunta o porquê. Você percebe que está sempre repetindo a mesma coisa. Você percebe.

        É assim que você sabe que precisa de ajuda para reconhecer as suas necessidades. Você percebe que precisa de ajuda para desenvolver recursos para alterar os padrões que lhe causam sofrimento. Você percebe que você precisa de ajuda para caminhar e não para se levantar.

        Mas você não procura ajuda. As pessoas que lhe cercam – sua família, seus amigos, os seus famosos preferidos e os seus personagens das telenovelas – lhe dizem que você precisa ter “força de vontade”, como elas. Você precisa ser “forte”, como elas. Você precisa ser.… como elas.

        É isso o que elas dizem para você, cheias de “boas” intenções. Mas sabe, o que você precisa mesmo é ser como você é.

        Você não procura ajuda porque essas suas pessoas queridas lhe dizem: o psicólogo lhe dirá o que fazer. Essas pessoas jamais tiveram a experiencia de fazer uma psicoterapia e desconhecem o que faz um psicólogo. Mas estão sempre prontas para emitir a opinião delas sobre você. E dizem mais: você ainda pagará bem caro por isso. Elas lhes dizem que o psicólogo fara aquilo que elas fazem – dizer a você o que fazer. E elas cobram bem menos por isso.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        Você recebera a ajuda do psicólogo para reconhecer como você lida com a sua vida. E decidira, por si mesmo, o que fazer com esse novo conhecimento. Você é o único responsável pela sua vida.

 

O nosso sexo é uma determinação atemporal e imutável

        “Não há um lugar de chegar, não há destino prefixado, o que interessa é o movimento e as mudanças que se dão ao longo do trajeto”.

        Quando nascemos somos nomeados um indivíduo do sexo macho ou fêmea da espécie homo sapiens. Logo, o nosso sexo é uma determinação atemporal e imutável, considerado biológico, anterior a cultura e binário (macho ou fêmea). Essa nomeação constatada no nascimento e registrada em cartório implica que esse dado do sexo, macho ou fêmea, ira determinar o gênero do recém-nascido animalzinho. E vincular esse gênero, macho ou fêmea, como as únicas duas formas de comportamento aceitas para a espécie homo sapiens.

        Crescemos na suposição de que não há nenhuma outra remota possiblidade de não seguir essa ordem de nascimento: macho ou fêmea. “A afirmação ‘é um menino’ ou ‘é uma menina’ inaugura um processo de masculinização ou de feminização com o qual o sujeito se compromete”. Daí em diante, o indivíduo para existir, pertencer a uma sociedade, se vera obrigado a obedecer às normas que regulam a cultura em que vive.

        Porém, algo imprevisível acontece. Não existe garantia de que os indivíduos nomeados macho se comportem da forma que se espera que um macho se comporte. O mesmo acontece com os indivíduos nomeados fêmea desde o nascimento, nada garante que eles se comportem como indivíduos fêmeas. Assim, tornou-se imprescindível que fosse constantemente reiterada essa nomeação, nem sempre com sutileza, mas com certeza de modo explícito e dissimulado. Quase um mantra diário que nos obriga a repetir: devo me comportar como homem, pois sou macho ou devo me comportar como mulher, pois sou fêmea.

        A sociedade ostenta um trabalho educacional continuo, repetitivo e interminável posto em ação para obrigar os seus indivíduos a se regularem aos gêneros e sexo biológico considerados ‘legítimos’. A educação é tão intensa que provoca a participação dos próprios indivíduos no processo de produção de gênero e sexo compatível com o nomeado pela sociedade. Embora, participantes ativos da construção do seu próprio sexo, esses indivíduos o fazem tomados de constrangimentos.

A verdade sobre o comportamento sexual dos indivíduos

        Dizem que nos últimos dois séculos, nunca se falou tanto sobre sexo. Dizem as más línguas que se fala mais de sexo do que se faz sexo, apesar de toda a publicidade contraria. Falar de sexo tornou-se objeto de atenção para cientistas, religiosos, psiquiatras, antropólogos, educadores, humoristas, cineastas, dramaturgos, escritores, animadores de auditório, bebedores de cerveja, churrasqueiros de laje, etc. O sexo torna-se algo que se pratica na oralidade.

        Como consequência de tanta oralidade, o sexo passa a ser descrito, compreendido, explicado, regulado, higienizado, educado, normatizado. Todo um conjunto de conhecimentos é erguido sobre o sexo. E para os detentores desse conhecimento sobre o sexo é autorizada a normatização de regras e comportamentos para controle da pratica sexual. Esse controle é exercido através das formas de regulação do sexo autorizadas a ditar as normas das práticas sexuais. Sexo se faz dessa maneira, não daquela. Isso é sexo, aquilo não é sexo. Essa pratica sexual é sadia, essa outra pratica é insana. Essa pratica é adequada, essa outra é bizarra. Autorizados pela sociedade dos indivíduos, os estados, as igrejas, as ciências reivindicam para si a verdade sobre o comportamento sexual de todos os indivíduos.

O poder criativo da Palavra

        O homo sapiens é uma espécie biológica animal mamífera muito criativa. Com a sua capacidade biológica da linguagem, a espécie animal humana consegue criar qualquer realidade.

        “No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. No princípio ela estava com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dela e sem ela nada se fez do que foi feito. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos seres humanos” (João, 2010).

A invenção da homossexualidade

        Desde sempre a espécie homo sapiens vem criando tudo pela palavra. Desse mesmo útero, a espécie animal homem criou a homossexualidade. A homossexualidade e o indivíduo homossexual foram criados no século 19. Antes daquele século, as relações amorosas e sexuais entre as pessoas do mesmo sexo eram consideradas uma atividade indesejável ou pecaminosa. Mas se admitia que qualquer indivíduo poderia sucumbir a essas atividades indesejáveis e pecaminosas.

        Porém, a partir da metade do século 19, a pratica da homossexualidade, que antes era uma atividade que podia ser praticada por qualquer um, passa a ser uma atividade de um indivíduo especifico. Esse indivíduo foi então, marcado, reconhecido e nomeado de homossexual. Esse indivíduo foi categorizado e nomeado como um desviante da norma heterossexual de se comportar. Assim, a homossexualidade, antes uma atividade possível de ser praticada por qualquer um, passa a ser uma atividade produzida por certo indivíduo. A homossexualidade ganha relevância social. A homossexualidade ganha o status de uma produção do discurso. A homossexualidade é uma criação da palavra.

        O discurso produzido sobre a homossexualidade tem conotação negativa sobre a sua pratica. Essa conotação negativa produz políticas e teorias de regulamentação e disciplina dos seus praticantes. As instituições estabelecem os limites, as possibilidades e as restrições para a pratica da homossexualidade. A primeira regra de definição da homossexualidade consta que seria uma relação sexual praticada entre pessoas do mesmo sexo. Essa definição parece indiscutível? Isso parece obvio para os dias atuais. Porém, numa sociedade em que o sexo podia ser praticado sem restrição de sexo e idade, essa normatização produz uma especificação do desejo.

        Portanto, com a produção dos discursos sobre o indivíduo homossexual, muda-se o foco da sexualidade da sua pratica para o indivíduo que a pratica. Toda a responsabilidade pela existência da sexualidade é imputada ao indivíduo. Essa é a nova criação social: a sexualidade é um produto do indivíduo, o único responsável pela sua pratica.

O homossexual é um indivíduo abjeto com práticas epidêmicas

        No início dos anos 1980, o surgimento da AIDS, apelidado de ‘câncer gay’, renova a homofobia. Homofobia que já era latente na sociedade, após o século anterior responsabilizar o indivíduo pela produção da homossexualidade. A intolerância, o desprezo e a exclusão social dos indivíduos nomeados homossexuais foram crescendo durante o século 20. Com o surgimento da AIDS, os discursos sobre a sexualidade se deslocam dos indivíduos para as práticas sexuais. O medo da sociedade não-sexualizada de que a homossexualidade era uma doença epidêmica concretizou-se com o surgimento da AIDS.  A homossexualidade é doença e a gente pega.

        Com a AIDS, a sociedade incentiva ainda mais a exclusão social desses indivíduos abjetos com suas práticas epidêmicas. A sociedade reforça a nomeação do indivíduo homossexual, através dos xingamentos: viado, bicha, sapatão, boiola, baitola, maricas, fanchona, etc. “A força de uma invocação sempre repetida, um insulto que ecoa e reitera os gritos de muitos grupos homófobos, ao longo do tempo, e que, por isso, adquire força, conferindo um lugar discriminado e abjeto aqueles a quem é dirigido”.

        A ignorância é uma forma de conhecimento. A ignorância é produzida por uma forma de conhecimento. O conhecimento sobre a homossexualidade é um modo de conhecer a sexualidade. O conhecimento da sexualidade é sustentado por um jeito heterossexual de conhecer.

Referencias

JOÃO, São. O Evangelho segundo São João. In BIBLIA SAGRADA. Novo Testamento. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2010.

LOURO, Guacira Lopes. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autentica, 2016.

 

Sentimentos de dor e de prazer formam o nosso jeito de ser

Dar a palavra aos sentimentos

        O que é dor? O que é prazer? Como você sabe que sente dor e não prazer ou vice-versa? Você já pensou que o seu jeito de sentir dor ou de sentir prazer tem a ver com a maneira como você lida com as coisas da sua vida? Os nossos sentimentos de dor e de prazer formam o nosso jeito de ser. Os sentimentos de dor ou prazer constituem os nossos padrões mentais.

        “Dentre todos os fenômenos mentais que podemos descrever, os sentimentos e os seus ingredientes essenciais – a dor e o prazer – são de longe os menos compreendidos no que diz respeito a sua biologia e em particular a neurobiologia”.

        Algum dia você já se perguntou para que serve ter sentimentos? Você, uma vez, não, algumas vezes, pensou que preferia levar a vida do seu animalzinho de estimação? Afinal, ele tem comida na hora certa, dorme quando quer e ainda tem o seu carinho e o seu cuidado!

        E quanto a você? Esse animalzinho que sente, nem sempre estimado, o que lhe provoca dor? Outras vezes, muito amado e bem cuidado, transborda de prazer; prazer que passa tão rápido! Talvez o melhor mesmo fosse não sentir. Melhor do que ficar nessa gangorra de ajustes e correções para atingir um equilíbrio entre a dor e o prazer.

A emoção e os sentimentos humanos, os nossos afetos

        Dor e prazer talvez sejam dois conceitos fundamentais na tentativa de compreender os seres humanos e as suas maneiras de viver.

        Tomemos por exemplo que você pode pensar que o amor é um estado agradável causado por algo exterior a você. Bem, então essa é uma ideia que você tem sobre algo exterior a você que lhe causa um estado agradável. A essa ideia você chama de amor.

        Então, o que você faz é separar o processo de sentir do processo de ter uma ideia sobre algo exterior que lhe pode causar uma emoção. No exemplo acima, o amor, um estado agradável. Quando você desloca a sua emoção para uma ideia, você evita lidar com a dor ou o prazer que essa emoção possa lhe proporcionar.

        Apreciemos agora o fato de como você faz para evitar sentir dor ou prazer ou sentir mais dor e mais prazer. Suponha que você está sentindo uma emoção que lhe provoca dor. Você pode querer sentir mais dor ou deixar de sentir a dor. O que você faz?

        Vamos supor, por exemplo, que o seu estado emocional, no momento, é uma saudade. Essa saudade lhe provoca um estado desagradável que chamaremos de dor. Você, então, busca lembrar de mais coisas que lhe aumentam o nível do seu estado desagradável de dor. Então, você sente mais saudade, mais dor.

        Agora, você não suporta mais esse estado desagradável de dor, por sentir saudade, em que você se encontra. O que você faz para parar de sentir essa dor? Como você faz para parar de sentir essa saudade?

        O poder dos afetos é tal que a única possiblidade de, no nosso caso, deixar de sentir dor é sentir um afeto contrário ainda mais forte do que esse que estamos sentindo. A esse afeto mais forte que a dor que estamos sentindo chamamos de prazer. Na psicoterapia, vivenciamos as nossas dores e nos abrimos para os sentimentos de prazer que nos reeducam para lidar com as nossas dores.

 

“Um afeto não pode ser controlado ou neutralizado exceto por um afeto contrário mais forte do que o afeto que necessita ser controlado”.

 

Referencias

DAMÁSIO, António. Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.