A representatividade e a autoridade das instituições tradicionais

        Os movimentos sociais que explodiram na década de 1960 contavam com a participação de indivíduos das classes medias que encorajavam os indivíduos das classes mais populares para se engajarem nas lutas. Aqueles movimentos questionavam a representatividade e a autoridade das instituições tradicionais como o Estado, a Igreja, a Escola e a Família. De forma geral, esses movimentos afirmavam que o privado é político e a desigualdade ultrapassava o econômico.

        Nesse contexto social, das décadas de 1960 e 1970, surgem os movimentos feministas e os movimentos homossexuais com inspiração liberacionista. Esses movimentos viam as mulheres e os homossexuais como indivíduos oprimidos que deviam lutar pela sua liberdade. Esses movimentos concebem o poder como uma atividade de repressão, operando de cima para baixo, da classe dominante para a classe dominada. Esses movimentos estavam fundamentados na luta de classes de inspiração na teoria de Karl Marx (1818-1883), na opressão exercida pelas classes dominantes sobre as classes dominadas.

        Nas décadas de 1970 e 1980, a sociedade heterossexual tentou mostrar que a maioria das pessoas eram heterossexuais. Os movimentos de liberação homossexuais caíram na armadilha heterossexual de que a homossexualidade seria algo restrito a uma minoria que a sociedade precisava aprender a conhecer e respeitar. Naquela época, a homossexualidade era chamada de homossexualismo.

A homossexualidade é algo socialmente forjado

        O termo homossexualismo foi criado no ambiente medico, no século 19. O sufixo ismo denota uma condição patológica como diversas outras condições consideradas doenças. O sufixo ismo também denota um conceito teórico fechado em si mesmo, portanto, sem interação com outros sistemas. Daí a luta dos movimentos homossexuais para alterar a pratica sexual para sexualidade e não sexualismo, pois como já se tinha conhecimento, a pratica heterossexual não se limitava apenas a procriação da espécie.

        Durante as décadas de 1970 e 1980, fizeram-nos pressupor que a maioria das pessoas eram heterossexuais. Fazendo-nos ter a impressão de que a “homossexualidade era algo restrito a uma minoria diferente que a sociedade precisava aprender a conhecer e respeitar”. Entretanto, esse pressuposto de que a maioria das pessoas é heterossexual é bastante questionável. “Se a homossexualidade é uma construção social, a heterossexualidade também é”. O binário hétero-homo é também uma construção histórica. “As pessoas nunca couberam apenas em um número limitado de orientações do desejo”.

O advento da AIDS confirma o paradigma heterossexual

        Eis que no início da década de 1980, algo de novo vem desequilibrar os paradigmas sociais. Rapidamente, a AIDS no meio da década já é considerada uma epidemia – o câncer gay. “A epidemia é tanto um fato biológico como uma construção social. A AIDS foi construída culturalmente e houve uma decisão de delimita-la como DST. Uma epidemia que surge a partir de um vírus, que poderia ter sido pensada como a hepatite B. Ou seja, uma doença viral, acabou sendo compreendida como uma doença sexualmente transmissível. Então, a AIDS foi um choque. E da forma como foi compreendida tornou-se uma resposta conservadora a Revolução Sexual”, iniciada nos anos 1960. “A epidemia de AIDS mostrou que, na primeira oportunidade, os valores conservadores e os grupos sociais interessados em manter tradições se voltaram contra as vanguardas sociais”.

A Queer Nation

        “A ideia por trás do Queer Nation era a de que parte da nação foi rejeitada, foi humilhada, considerada abjeta, motivo de desprezo e nojo, medo de contaminação. É assim que surge o Queer, como reação e resistência a um novo momento biopolítico instaurado pela AIDS.

        Queer é um xingamento, é um palavrão em inglês. Realmente é um palavrão, um xingamento, uma injuria.     A problemática Queer não é exatamente a da homossexualidade, mas a da abjeção. A ‘abjeção’ se refere ao espaço a que a coletividade costuma relegar aqueles e aquelas que considera uma ameaça ao seu bom funcionamento, a ordem social e política. O ‘aidético’, identidade do doente de AIDS na década de 1980, encarnava esse fantasma ameaçador contra o qual a coletividade expunha seu código moral.

        Os movimentos Queer focarão mais na critica as exigências sociais, aos valores, as convenções culturais com forças autoritárias e preconceituosas. E se pautarão menos pela demanda de aceitação ou incorporação coletiva. O Queer, portanto, não é uma defesa da homossexualidade, é a recusa dos valores morais violentos que instituem e fazem valer a linha da abjeção, essa fronteira rígida entre os que são socialmente aceitos e os que são relegados a humilhação e ao desprezo coletivo”.

O poder está em toda parte

        “O movimento homossexual e sua bandeira do ‘orgulho gay’ é uma palavra de ordem com origem em uma classe média branca letrada que, provavelmente de forma inconsciente, parecia tentar criar uma imagem limpa e aceitável da homossexualidade”. Os movimentos homossexuais veem o poder como algo que opera pela repressão. Os sujeitos homossexuais lutam pela liberdade da sua expressão sexual.

        “O Queer busca tornar visíveis as injustiças e violências implicadas na disseminação e na demanda do cumprimento das normas e das conversões culturais, violências e injustiças envolvidas tanto na criação dos ‘normais’ quanto dos ‘anormais’”. Para o Queer Nation, o poder é concebido como mecanismos sociais disciplinadores. No Queer, a luta é para descontruir as crenças, normas e convenções culturais que constituem os sujeitos.

        Ninguém detém o poder. Nos é que associamos o poder a alguém ou a uma instituição. O poder é uma situação estratégica constituída numa dada sociedade em uma época especifica.

A sexualidade como algo construído socialmente

        “Essa nova onda dos movimentos sociais problematiza a cultura e a imposição social de normas e convenções culturais que, de forma astuciosa e frequentemente invisível, nos forma como sujeitos, ou melhor, nos assujeitam.

        O gênero é relacionado a normas e convenções culturais que variam no tempo e de sociedade para sociedade. Homens e mulheres que constroem um perfil de gênero esperado e escondem seu desejo por pessoas do mesmo sexo sofrem menos perseguição? A sociedade incentiva essa forma ‘comportada’, no fundo, reprimida e conformista, de lidar com o desejo, inclusive por meio da forma como persegue e maltrata aqueles que são cotidianamente humilhados sendo xingados de afeminados, bichas, viados, termos que lembram o sentido original de Queer na língua inglesa.

        As pessoas aprendem sobre sexualidade ouvindo injurias com relação a si próprias ou com relação aos outros. Quer você seja a pessoa que sofre a injuria, é xingada, é humilhada; quer seja a que ouve ou vê alguém ser maltratado dessa forma, é nessa situação da vergonha que descobre o que é a sexualidade.

        Daí ser simplista resumir essas violências no termo ‘homofobia’, a violência dirigida a homossexuais, pois essas violências se dirigem a todos e todas, apenas em graus diferentes. Essas violências são expressão da forma como somos socializados dentro de um regime de terrorismo cultural. Algo coletivamente imposto e experienciado; sobretudo, algo que vai além de atos isolados de violência. Fazendo do medo da violência a forma mais eficiente de imposição da heterossexualidade compulsória”.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        “A ameaça constante de retaliações e violências nos induz a adotar comportamentos heterossexuais. Ironias, piadas, injurias e ameaças costumam preceder tapas, socos ou surras. A recusa violenta de formas de expressão de gênero ou sexualidade em desacordo com o padrão é antecedida e até apoiada por um processo educativo, ou seja, por um currículo oculto comprometido com a imposição da heterossexualidade compulsória”.

Referencias

MISKOLCI, Richard. Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autentica Editora: UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto, 2016 – Serie Cadernos da Diversidade; 6.

 

Ansiedade como uma leve tensão emocional

        O que é a ansiedade? Quais são os sintomas que definem um estado de ansiedade. Em geral, define-se ansiedade como uma leve tensão emocional, vivenciada no corpo como um todo. Estamos ansiosos quando dizemos a nos mesmos que não estamos nos sentindo bem. Quando sentimos um mal-estar generalizado, uma sensação de que algo ruim irá acontecer.

        Essa sensação pode vir sob a forma de um aperto no peito, de uma contração muscular que repercute no interior do corpo, uma tensão no pescoço e na face, um desconforto visceral ou respiratório. Uma sensação acompanhada de emoções intensas, de apreensão e medo de que algo desagradável irá acontecer.

        A ansiedade é uma reação habitual de nosso jeito de estar no mundo. A ansiedade é provocada pelo estresse das situações corriqueiras que desestabilizam o nosso equilíbrio. Ficamos ansiosos quando saímos de um estado de equilíbrio para um estado de desequilíbrio. A vida é movimento. Sendo assim, não se vive sem ansiedade.

        Por exemplo, se estou com as minhas necessidades alimentares saciadas, não sinto fome. Quando começo a sentir fome, me preparo para estabilizar os meus níveis de nutrientes. Nem sempre temos algo disponível na geladeira para comer. Às vezes, precisamos comprar os alimentos e ainda tê-los que cozinhar para comer. Quanta demora para voltar ao estado de equilíbrio sem fome.

        Essa impossibilidade de suprir, imediatamente, a minha fome, aumenta a minha sensação de fome. A minha fome será maior quanto maior for o tempo que eu não suprir a minha fome. Sem nos alimentar, definhamos. Uma sensação ruim, além da fome, é claro, começa a nos preencher de algo desagradável, de um mal-estar generalizado. A fome não suprida pode nos levar a um estado ansioso de excitação. Muitas pessoas sentem raiva quando estão com fome.

        Mas nem só de pão vive o homem. A ansiedade também está presente nas circunstancias rotineiras da vida e perante as situações imprevisíveis. A ansiedade provoca alterações em nossas funções neurovegetativas, em nossa coordenação muscular, em nossa emoção, uma impaciência corporal, que pode nos levar ao temor e ao pânico.

        Essa impaciência experimentada no corpo sob a forma de um mal-estar indefinível nos faz pensar que a nossa existência corre perigo de continuação. Aqui, alguns filósofos, psicólogos e poetas entram em ação e passam a chamar a ansiedade de angustia.

        Portanto, a ansiedade ou a angustia emerge diretamente da relação do homem com o mundo. Em particular, a ansiedade emerge da forma como cada um de nós responde as situações da nossa existência. Todos as pessoas são ansiosas, porém, cada um tem o seu jeito próprio de vivenciar a ansiedade.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        Assim como cada um lida com a ansiedade a sua maneira, cada um faz a gestão da sua ansiedade de acordo com as circunstancias. Daí a necessidade de cada um exigir um tratamento individual do seu estar no mundo.

Referencias

CUNHA, A. G. Pelos trilhos da angustia (ansiar, angustiar, neurotizar). In DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira (2ª Edição), Pg. 52, 1998. Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em

Você não vê sentido na sua existência?

        Você se sente angustiado e não vê sentido na vida que está levando? Você se sente limitado, aprisionado e acuado? Você sente que essa vida que você está levando não é a vida que você imaginou para você? Você sente que vive a vida dos outros e não a sua própria vida? Você não vê sentido na sua existência?

        Você vive se lamentando muito por ter nascido nesta época de dificuldades? Não parece uma época muito inspiradora, mesmo. Você sente uma sensação de perda, pessimismo e desencanto com o presente?

        Sim, é verdade. Você tem uma mente que deixa você desanimado. Você se sente tão desanimado, mas tão desanimado que nem tem forças para o suicídio.  Que tal se você experimentasse viver sentimentos humanos e necessários, tais como a angústia, a desilusão, a tristeza, a perda e o cansaço? Somente para sair um pouco dessa sua rotina desanimada!

        Você está sempre se desculpando e culpando os outros, o sistema, os seus pais, a vida, tudo? O que é isso que você faz com você? Você sabe qual é o jeito certo de fazer as coisas? Você diz que faz tudo errado, mas que esse não é o seu jeito de fazer as coisas.

        Você sente muita inveja daqueles que fazem o que querem? Bem, é você quem acredita nisso – que eles fazem o que querem. Será que os outros fazem mesmo aquilo que querem? Você é aquele que sempre faz o que os outros querem? E você é somente aquele que queria apenas poder querer aquilo que faz!

        Se você quer ser médico (a), professor (a), padeiro (a), um “bom” (a) filho (a), corrupto (a), etc., você precisa fazer alguma coisa a respeito disso. Se você quer ter um projeto de vida e valores, você precisa fazer alguma coisa a respeito disso?

        No entanto, você se sente tão desanimado. Você se sente tão perdido. Você se sente cansado. Você se sente muito cansado.

O que a psicologia pode fazer por você?

        Em diversos momentos das nossas vidas nos deparamos com dificuldades nos relacionamentos, nas conquistas ou nas satisfações. O que faz a psicologia é entender como essas dificuldades se processam em nos. A psicologia nos ajuda entender como nos comportamos dessa ou daquela maneira nos ajuda a lidar com as dificuldades de forma satisfatória.

        A psicologia nos ajuda conhecer os nossos limites, as nossas potencialidades e capacidades, assim, aprendemos a evitar sofrimentos desnecessários.

        Durante um processo de psicoterapia você será encorajado a vivenciar e expressar os seus sentimentos. E através da identificação e compreensão de como os seus sentimentos se formam você aprendera a lidar com eles com autonomia de poder.