Ansiedade como uma leve tensão emocional

        O que é a ansiedade? Quais são os sintomas que definem um estado de ansiedade. Em geral, define-se ansiedade como uma leve tensão emocional, vivenciada no corpo como um todo. Estamos ansiosos quando dizemos a nos mesmos que não estamos nos sentindo bem. Quando sentimos um mal-estar generalizado, uma sensação de que algo ruim irá acontecer.

        Essa sensação pode vir sob a forma de um aperto no peito, de uma contração muscular que repercute no interior do corpo, uma tensão no pescoço e na face, um desconforto visceral ou respiratório. Uma sensação acompanhada de emoções intensas, de apreensão e medo de que algo desagradável irá acontecer.

        A ansiedade é uma reação habitual de nosso jeito de estar no mundo. A ansiedade é provocada pelo estresse das situações corriqueiras que desestabilizam o nosso equilíbrio. Ficamos ansiosos quando saímos de um estado de equilíbrio para um estado de desequilíbrio. A vida é movimento. Sendo assim, não se vive sem ansiedade.

        Por exemplo, se estou com as minhas necessidades alimentares saciadas, não sinto fome. Quando começo a sentir fome, me preparo para estabilizar os meus níveis de nutrientes. Nem sempre temos algo disponível na geladeira para comer. Às vezes, precisamos comprar os alimentos e ainda tê-los que cozinhar para comer. Quanta demora para voltar ao estado de equilíbrio sem fome.

        Essa impossibilidade de suprir, imediatamente, a minha fome, aumenta a minha sensação de fome. A minha fome será maior quanto maior for o tempo que eu não suprir a minha fome. Sem nos alimentar, definhamos. Uma sensação ruim, além da fome, é claro, começa a nos preencher de algo desagradável, de um mal-estar generalizado. A fome não suprida pode nos levar a um estado ansioso de excitação. Muitas pessoas sentem raiva quando estão com fome.

        Mas nem só de pão vive o homem. A ansiedade também está presente nas circunstancias rotineiras da vida e perante as situações imprevisíveis. A ansiedade provoca alterações em nossas funções neurovegetativas, em nossa coordenação muscular, em nossa emoção, uma impaciência corporal, que pode nos levar ao temor e ao pânico.

        Essa impaciência experimentada no corpo sob a forma de um mal-estar indefinível nos faz pensar que a nossa existência corre perigo de continuação. Aqui, alguns filósofos, psicólogos e poetas entram em ação e passam a chamar a ansiedade de angustia.

        Portanto, a ansiedade ou a angustia emerge diretamente da relação do homem com o mundo. Em particular, a ansiedade emerge da forma como cada um de nós responde as situações da nossa existência. Todos as pessoas são ansiosas, porém, cada um tem o seu jeito próprio de vivenciar a ansiedade.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        Assim como cada um lida com a ansiedade a sua maneira, cada um faz a gestão da sua ansiedade de acordo com as circunstancias. Daí a necessidade de cada um exigir um tratamento individual do seu estar no mundo.

Referencias

CUNHA, A. G. Pelos trilhos da angustia (ansiar, angustiar, neurotizar). In DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira (2ª Edição), Pg. 52, 1998. Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em

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