Uma resposta de estresse descontrolada

        Há situações que mexem muito conosco e chegam a nos desestabilizar. Uma situação que mexa tanto conosco a ponto de nos desestabilizar pode ativar uma resposta de estresse descontrolada. A essas respostas de estresse intensas e descontroladas chamamos de luta ou fuga. Ou lutamos insanamente para readquirir o nosso estado anterior de conforto ou fugimos para nos proteger de uma agressão ambiente de proporções monstruosas.

        No início, uma situação aumenta o nosso nível de atenção, logo a seguir essa situação pode ser percebida como perigosa. Então passamos para um estágio de apreensão, onde nos postamos em forma endurecida, a respiração encurta e acelera, os nossos sentidos estão no máximo tônus de atenção. Esse estado de mobilização pode ser suficiente para dar conta da situação. Quando reconhecemos o nível baixo de periculosidade dos acontecimentos, nos reorganizamos para um nível mais baixo de atenção.

        Entretanto, a situação pode nos levar ao aumento do nível de atenção. É quando nos sentimos ameaçados, aumentamos mais ainda o tônus da atenção dos sentidos. A ansiedade aumenta, uma sensação de isolamento torna a situação estranha e arriscada. Estamos no limiar do medo.

        Ainda nesse ponto, podemos atacar o evento estranho que nos assusta como forma de afasta-lo. Ou, podemos fugir para longe do evento de forma que ele não invada o nosso espaço. Também podemos sentir tão ameaçados que não consigamos enfrentar nem fugir do evento constrangedor. O medo aumenta e o pânico já se aproxima.

        Sensações confusas, fantasias de risco de vida, a ansiedade aumenta, a imaginação invade a realidade, o medo é real, pois a morte é iminente. Os pensamentos não servem para nada nessa hora, aliás, eles são os primeiros a abandonar o barco. Um comportamento de entrega e submissão ao evento nos paralisa. O evento tomou conta de mim, estou só, imóvel. Não conseguimos mais decidir lutar ou fugir, estamos em pânico.

        “Quando não podemos avançar nem recuar, não conseguindo nos compor com a situação, ficamos no estado de ansiedade e pânico”. Quando o que afeta uma pessoa é excessivo para a sua capacidade de enfrentamento, ela sucumbe. O pânico é a resposta que a pessoa encontra para reagir a uma experiencia que excede a sua capacidade de enfrentamento. No pânico, uma experiencia que podia ser da afetação de um objeto externo é vivida como um objeto interno.

        A experiencia de atenção crescente se transforma em sensações de aceleramento dos batimentos cardíacos, falta de ar, pensamento de que vai morrer, etc. O pânico transforma o próprio corpo no estimulo estressante.

A percepção das emoções

        Como sabemos quando estamos sentindo uma emoção? como sabemos discriminar que emoção é essa que estamos sentindo? As emoções são constituídas por alterações respiratórias, cardíacas, vasculares, digestivas e musculares. Se uma pessoa consegue discriminar os componentes viscerais e musculares da emoção, ela consegue uma percepção dos seus sentimentos e da sua atitude frente ao estimulo que está provocando a emoção. Entretanto, poucas pessoas têm suficiente discriminação para perceber o tipo de emoção que sentem.

        A principal característica de uma pessoa que se encontra em pânico é a ausência total de percepção de suas emoções. Uma pessoa em pânico “se desliga”, torna-se ausente de si e da situação. Essa ausência de si provoca o estranhamento que a pessoa tem em relação ao seu corpo. O seu corpo é o inimigo. O inimigo que mora dentro dela.

        Incapaz de enfrentar ou de fugir do inimigo que mora dentro dela, a pessoa evita a consciência da emoção. Uma espécie de suicídio sem morte. Uma forma de assimilar a avalanche de sensações irrompidas.

        As pessoas aprendem, pela experiencia, padrões organizados de se comportar perante certas situações. Esses padrões de respostas cristalizados limitam os nossos comportamentos. Tendemos sempre a reagir de uma mesma maneira, diante de uma mesma situação. O padrão de comportamento das pessoas em pânico tende a desconexão da consciência diante de um estresse excessivo.

        “Na crise de Pânico, a pessoa vive um profundo estranhamento em relação às suas sensações corporais; seu corpo é vivido como uma fonte de ameaça. Essa é uma das características centrais do pânico: os perigos vêm de dentro, vêm do próprio corpo. O controle da hiperventilação, por meio de exercícios respiratórios específicos, é um recurso importante no controle das crises de Pânico”.

        “Podemos dizer que as causas do processo que leva ao pânico são experiências internas não assimiladas. A pessoa não consegue identificar o que está vindo junto com as crises, todas as experiências de vida que foram negadas, excluídas de seu mundo, e, assim, acaba tendo crises de pânico frente ao desconhecido que a invade por dentro”. 

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        Aprendemos pela experiência. A experiência cria padrões de comportamentos adaptativos aos estímulos, situações e ambientes. A ansiedade é gerada em qualquer contato com o desconhecido, pois ainda não formamos padrões de comportamento em reação ao que desconhecemos.

 Referencias

SCARPATO, Artur. O estranho que me habita: a Síndrome do Pânico numa perspectiva formativa. São Paulo: Revista Reichiana, número 10, 2001, p. 50-66. Acesso em 31 de outubro de 2013. Disponível em

 

Ansiedade como uma leve tensão emocional

        O que é a ansiedade? Quais são os sintomas que definem um estado de ansiedade. Em geral, define-se ansiedade como uma leve tensão emocional, vivenciada no corpo como um todo. Estamos ansiosos quando dizemos a nos mesmos que não estamos nos sentindo bem. Quando sentimos um mal-estar generalizado, uma sensação de que algo ruim irá acontecer.

        Essa sensação pode vir sob a forma de um aperto no peito, de uma contração muscular que repercute no interior do corpo, uma tensão no pescoço e na face, um desconforto visceral ou respiratório. Uma sensação acompanhada de emoções intensas, de apreensão e medo de que algo desagradável irá acontecer.

        A ansiedade é uma reação habitual de nosso jeito de estar no mundo. A ansiedade é provocada pelo estresse das situações corriqueiras que desestabilizam o nosso equilíbrio. Ficamos ansiosos quando saímos de um estado de equilíbrio para um estado de desequilíbrio. A vida é movimento. Sendo assim, não se vive sem ansiedade.

        Por exemplo, se estou com as minhas necessidades alimentares saciadas, não sinto fome. Quando começo a sentir fome, me preparo para estabilizar os meus níveis de nutrientes. Nem sempre temos algo disponível na geladeira para comer. Às vezes, precisamos comprar os alimentos e ainda tê-los que cozinhar para comer. Quanta demora para voltar ao estado de equilíbrio sem fome.

        Essa impossibilidade de suprir, imediatamente, a minha fome, aumenta a minha sensação de fome. A minha fome será maior quanto maior for o tempo que eu não suprir a minha fome. Sem nos alimentar, definhamos. Uma sensação ruim, além da fome, é claro, começa a nos preencher de algo desagradável, de um mal-estar generalizado. A fome não suprida pode nos levar a um estado ansioso de excitação. Muitas pessoas sentem raiva quando estão com fome.

        Mas nem só de pão vive o homem. A ansiedade também está presente nas circunstancias rotineiras da vida e perante as situações imprevisíveis. A ansiedade provoca alterações em nossas funções neurovegetativas, em nossa coordenação muscular, em nossa emoção, uma impaciência corporal, que pode nos levar ao temor e ao pânico.

        Essa impaciência experimentada no corpo sob a forma de um mal-estar indefinível nos faz pensar que a nossa existência corre perigo de continuação. Aqui, alguns filósofos, psicólogos e poetas entram em ação e passam a chamar a ansiedade de angustia.

        Portanto, a ansiedade ou a angustia emerge diretamente da relação do homem com o mundo. Em particular, a ansiedade emerge da forma como cada um de nós responde as situações da nossa existência. Todos as pessoas são ansiosas, porém, cada um tem o seu jeito próprio de vivenciar a ansiedade.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        Assim como cada um lida com a ansiedade a sua maneira, cada um faz a gestão da sua ansiedade de acordo com as circunstancias. Daí a necessidade de cada um exigir um tratamento individual do seu estar no mundo.

Referencias

CUNHA, A. G. Pelos trilhos da angustia (ansiar, angustiar, neurotizar). In DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO DA LÍNGUA PORTUGUESA. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira (2ª Edição), Pg. 52, 1998. Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em

As variadas manifestações dos comportamentos ansiosos

        Diversas pesquisas cientificas, desde a década de 1960, fizeram diferença entre as variadas manifestações dos comportamentos ansiosos. Assim, em 1980, a Associação Americana de Psiquiatria descobriu, criou ou inventou a síndrome do pânico, as Fobias, o Estresse Pós-Traumático, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo e o Distúrbio de Ansiedade Generalizada, e juntaram essas denominações à classe dos Transtornos de Ansiedade.

        Essa classificação dos transtornos construída por essa Associação é bastante questionada por alguns psicólogos e psiquiatras. A Associação se baseia na estatística da ocorrência dos sintomas. As possibilidades e frequências para ocorrer um conjunto de sintomas é condição necessária e suficiente para aquela Associação classificar a diversidade dos sentimentos ansiosos em transtorno disso ou daquilo. Entrementes, muitas instituições, pessoas leigas e versadas no assunto, pacientes e aproveitadores da situação acreditam que essas classificações representam o fenômeno da ansiedade e seus transtornos.

        Apoiadas pela sociedade em geral, essa Associação e outras vão classificando a nossa ansiedade de viver. As associações descobrem e criam e inventam e classificam como transtornos diversas formas humanas de lidar com as situações difíceis da vida. Sabe-se lá para que interesse essas classificações se prestam. Mas rotulam as pessoas e as situações, sob os aplausos de todos.

Da atenção ao pânico

        Talvez a mais famosa dessas classificações atuais seja a síndrome do pânico que consiste em ataques de pânico inesperados e recorrentes. Mas o que vem a ser os ataques de pânico? Os ataques de pânico são caracterizados por períodos de intensa ansiedade. Sim, o pânico começa com a ansiedade. Para saber mais sobre a ansiedade, leia o post Ansiedade como uma leve tensão emocional”.

        “Os ataques de pânico, ou crises, consistem em períodos de intensa ansiedade e são acompanhados de alguns sintomas específicos. Os mais comuns são taquicardia, sensação de falta de ar, dificuldade de respirar, formigamentos, vertigem, tontura, dor ou desconforto no peito, despersonalização, sensação de irrealidade, medo de perder o controle, medo de enlouquecer, sudorese, tremores, medo de desmaiar, sensação de iminência da morte, náusea ou desconforto abdominal, calafrios ou ondas de calor, boca seca e perda do foco visual”.

        Você, provavelmente,  já ouviu falar de alguém que tenha medo de altura,. Também já ouviu falar de outros que tem medo de lugares fechados, outros que tem medo de um animal. Esses medos de uma situação ou de um objeto especifico são chamados de fobias. Nas fobias, as pessoas têm medo de algo que ocorre fora delas. No pânico, as pessoas têm medo de algo que ocorre no seu próprio corpo.

        O pânico é uma ansiedade que se intensifica num estado emocional de apreensão. O pânico evolui para uma sensação de que algo ruim irá acontecer, algo indefinido. O pânico é um crescente de atenção-apreensão-ansiedade-medo-pânico.

        Uma característica que vai paralisando a vida da pessoa que sofre de pânico é que esse estado evolui para uma ansiedade de antecipação. A pessoa acredita que determinadas situações irão propagar a sua crise de pânico. Essas pessoas acabam evitando sair de casa e se completando de medicação.

Do estresse a ansiedade

        Chamamos de estresse a resposta biológica que todos os organismos produzem como comportamento reativo aos estímulos do seu ambiente. O estresse é uma resposta funcional dos organismos para refazer um estado de satisfação que mantinham antes de ser afetados por um estimulo. Portanto, o estresse é uma reação contraria a certa ordem de funcionamento estável de um organismo.

        Somente quando uma carga de estimulo é excessiva, para além do que um organismo é capaz de suportar, inicia-se um estado de ansiedade que pode desencadear numa resposta disfuncional. Ou seja, o organismo pode desencadear uma resposta que não se orienta a restabelecer o seu estado de satisfação.

        No caso de uma pessoa, um estimulo que exceda a capacidade dessa pessoa de suporta-lo, pode proporcionar reações crescentes de apreensão, ansiedade, medo e pânico.

Referencias

SCARPATO, Artur. O estranho que me habita: a Síndrome do Pânico numa perspectiva formativa. São Paulo: Revista Reichiana, número 10, 2001, p. 50-66. Acesso em 31 de outubro de 2013. Disponível em

Os sintomas que você diz sentir

        Você procurou o seu médico porque sentiu umas pontadas de dor no estômago ou sentiu o seu coração bater acelerado ou porque aquela dor de cabeça não cessa ou por causa de dores na coluna ou por medo de estar com uma grave doença. O seu médico examinou você, cuidadosamente, fez alguns exames clínicos e laboratoriais, porém não encontrou nada “físico” que pudesse provocar os sintomas que você diz sentir.

        Então, mais cuidadosamente, ele, o seu médico, age, delicadamente também, para não ferir o seu orgulho de herói. Ele lhe diz: os seus exames estão “normais”, o que você está sentindo deve ser emocional. Chi.… você pensa: eu sou um fracassado, não sei nem cuidar de mim mesmo. Muita calma nessa hora! Esses sintomas, que estão se manifestando em você de forma incomoda, têm a ver com o seu jeito de lidar com a sua ansiedade.

Mas o que é ansiedade, mesmo?

        A ansiedade é uma característica biológica que encontramos no bicho homem, porém, sabemos que outros animais também têm esta característica. A ansiedade ocorre quando temos o pressentimento de que a nossa existência corre o risco de se acabar.

        Esse perigo de morte da nossa vida pode ser real ou imaginário. Pode-se argumentar qual seria a diferença para quem corre risco de morte, se o perigo é real ou imaginário. Afinal, se a realidade é o que percebemos dela, ser real ou imaginário, não faz a menor diferença para quem vive essa situação. A diferença existe somente para quem observa.

        Bem, mas voltando a ansiedade, ela é uma característica do estar vivo. Quem está vivo, evita a morte com todas as suas forças. Quem está vivo, luta pela manutenção da vida, enfrenta até mesmo um dragão. Seja lá o que for, é o seu dragão, mesmo que pareça um gatinho para os outros. Quem está vivo, foge para manter a vida, se afasta do risco da morte. Quem está vivo, se finge de morto para manter a vida, se esconde das ameaças de morte. Quem está vivo, até se mata para manter a vida, defende a vida com a sua própria morte.

Todos nós somos ansiosos

        A ansiedade é uma característica de grande parte dos animais vertebrados que possuem uma massa cerebral constituída de neurônios denominada de amígdala, cuja função é de alertar o organismo sobre uma situação de risco. Uma situação de risco evoca a ansiedade. Assim como existem diferentes maneiras de estar vivo, também existem diferentes maneiras de estar ansioso.

        Cada um de nós faz as coisas do seu jeito. Repito, cada um do seu jeito. Cada um de nós vive cada situação a sua própria maneira. O seu jeito de andar, por exemplo, não é igual ao jeito de andar de mais ninguém. O seu jeito de evitar o desequilíbrio ao caminhar é diferente de qualquer outra pessoa. Assim, o jeito de estar ansioso é somente seu, ninguém mais fica ansioso do jeito que você fica.

Ansiedade ou morte!

        A ansiedade poderia ser caracterizada como uma emoção que traduz um sentimento de insegurança ou medo da morte. Portanto, viver e ansiar são inseparáveis. Vida e ansiedade, tudo a ver! A característica da grande e definitiva morte seria a ausência ou extinção da vida. A característica das pequenas mortes que vivemos diariamente é um desafio para as nossas maneiras de estar vivo. Mas, o que é viver ou morrer as nossas maneiras de estar vivo? Quem responde essa? Claro, é a ansiedade. É a nossa ansiedade que nos mostra como reagir aos estímulos que provocam, incomodam, entristecem e alegram a nossa existência.

        Assim, a ansiedade nossa de todo o dia se expressa pelo medo de ser ignorante, pelo medo de estar mal informado, pelo medo de perder o controle, pelo medo de perder, pelo medo de morrer de repente, pelo medo de morrer demoradamente, pelo medo do fracasso, pelo medo do sucesso, pelo medo de ter medo, pelo medo de ter ansiedade, pelo medo do tédio.

Podemos expressar a nossa ansiedade de todo dia pelo medo

        Bem, então a nossa ansiedade que é uma característica ou função biológica se expressa no bicho homem pelo medo. Isso, o medo é uma das formas de expressão da nossa ansiedade. Ah, que bom. Quer dizer que existem outras formas de expressar a ansiedade? Claro, podemos viver a nossa ansiedade de diversas maneiras, com medo ou sem medo. Cada um de nós vive a sua ansiedade de modo singular e único. Repito, de modo singular e único, do seu jeito único de estar no mundo.

        Afora o medo, a ansiedade também pode ser expressa por alguns daqueles sintomas que levaram você a procurar o seu médico. A ansiedade pode ser vivida por algumas manifestações físicas como boca seca, pulso acelerado, transpiração abundante, dores no tórax, vertigens, desmaios, dores crônicas, estados físicos que vão e voltam, tipo alergias, resfriados, entre outras. Uma das ansiedades mais “na moda” atualmente tem expressão na doença autoimune, exemplo da pessoa que se mata para defender a própria vida. O suicídio é a única questão filosófica que realmente importa. O suicídio voltou a estar na moda.

A ansiedade tem causa?

        Portanto, a ansiedade é um estado biológico e funcional do organismo humano. A ansiedade é um alarme disparado no organismo para enfrentar diversas situações da vida quotidiana. A ansiedade funciona como uma forma de reagirmos aos estímulos do ambiente interno e externo.

        A ansiedade é desencadeada pelo habito que cada um de nós tem de enfrentar as dificuldades da vida. E são tantos os desafios! Muitos e constantes e aparecem de qualquer lugar, em qualquer tempo, de onde menos se espera. A expectativa é uma forma de ansiedade antecipatória de algo criado pela nossa imaginação. A ansiedade pode surgir do desafio de um relacionamento afetivo, da rejeição da expressão sexual, da exclusão social, do uso de substancias viciantes, do teste para um emprego, etc.

A ansiedade e seus sub usos

        Os nossos contemporâneos desejam ser vistos como singulares e únicos, mas ter a consciência de ser singular e único traz junto o sentimento da solidão. Os nossos contemporâneos, para fugirem da solidão, estão com essa mania de caracterizar cada vivencia singular da ansiedade em transtorno disso ou daquilo. Com isso fornecem rótulos de ansiedade para que cada um de nós se sinta um pouco amado e inserido na sociedade.

        Assim, dizemos que estamos estressados, sofremos de déficit de atenção, sofremos de hiperatividade, sofremos de inatividade, sofremos de depressão, sofremos de bipolaridade, sofremos de medo, sofremos de pânico. Todo esse arsenal de rótulos são diferentes nomeações da nossa já conhecida ansiedade. Comum mesmo, para todos nós, é o sofrimento. Esse é inevitável – momentâneo ou duradouro.

Você não sabe o que é, mas deixa você paralisado

        Você já sentiu aquele frio na barriga, o coração batendo mais forte, parecendo que vai sair pela boca, e a respiração ofegante? Você não sabe o que é, mas deixa você paralisado. Você sente que está plantado no chão e ao mesmo tempo parece que vai explodir como um foguete em direção ao espaço.

        Você não consegue reter nenhum pensamento, nem a sua voz parece ser emitida. Você grita e não ouve a sua voz. Você sente que isso é a tal da ansiedade. Seu coração bate mais rápido que o corriqueiro. Você inspira e expira quase simultaneamente, o oxigênio é acumulado. Você está pronto para explodir.

        A sua circulação sanguínea corre a uma velocidade de avião supersônico, é como tsunami num órgão e deserto em outro. Seus neurônios compartilham sinapses alucinadas. Seus hormônios interagem intensificando a produção de produtos químicos e anticorpos para se defender de um inimigo invisível.

        Você deseja sair de onde está, mas não consegue. Você está imóvel. Você está com medo de perder o controle da situação. Você sente que vai desmaiar. Medo e ansiedade é pouco. Você está em pânico.

        Você percebe que a ansiedade que você sente é um empecilho para você alcançar seus maiores sonhos e objetivos. Será mesmo? Leia o que disse Alfred Hitchcock.

 

“Sorte é tudo… minha sorte na vida foi ser uma pessoa realmente assustada. Eu sou sortudo por ser um medroso, ter um baixo limiar de medo, porque um herói não pode fazer um bom filme de suspense.”

 

        O que será que o Hitchcock fez para conseguir lidar com o seu medo? Hitchcock usou a sua ansiedade ao seu favor. Como ele usou o medo ao seu favor? Parece que nesse caso, ele viveu a sua ansiedade. Quer dizer, ele não negou (fugiu dela, a ignorou, brigou com) a sua ansiedade. Assim, usando a criatividade e a curiosidade para com a sua ansiedade conseguiu transformar o seu medo de forma criativa.

        Agora, imagine se você tivesse em mãos um mapa. Um guia que lhe mostrasse em detalhes o passo-a-passo para lhe tirar desse lugar de dor e sofrimento.

        Um guia cheio de conhecimento de você mesmo. E, depois de algum tempo seguindo esse guia, o seu medo, a sua ansiedade e a falta de conhecimento se transformam em confiança, novos comportamentos e sabedoria para você ser o motorista da sua viagem, para você dirigir a sua vida.

        Você tem agora uma decisão a tomar. Ou continuar parado e paralisado observando seus sonhos e objetivos ficarem cada vez mais distantes. Ou decidir lutar pelo que é seu, pelo que você é. Lutar por você. Mover-se. E seguir o caminho que irá suprir as suas necessidades e orientar você para viver a vida que você sempre sonhou. E tornar você o guia de si mesmo.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        Sim, você decide mudar. Mas como você faz isso?

Num crescente atinge o medo e pode triunfar no pânico

        Como é que você sabe que está ansioso? De repente, você se dá conta de uma situação. Essa situação lhe chama a atenção. A ansiedade começa num estado de atenção, podendo evoluir para uma apreensão, num crescente atinge o medo e pode triunfar no pânico. O que acontece com o organismo nessa dinâmica que tem origem na atenção e alcança o seu auge no pânico?

        No início, algo lhe chama a atenção. A única coisa que existe no mundo é aquele evento ou objeto (o estimulo) a sua frente. Seus movimentos ficam mais direcionados para aquele estimulo. Seus batimentos cardíacos mudam de ritmo. A sua respiração muda de ritmo. O ritmo fica mais intenso. Conforme a sua atenção se transforma em apreensão, você produz hormônios que aceleram os seus batimentos cardíacos. A sua respiração se torna mais rápida. Você busca cada vez mais oxigênio e não o processa. Você se concentra, sem consciência, na busca do primeiro alimento da sua vida fora do útero da sua mãe.

        O oxigênio é o alimento primordial de todo organismo vivo. Quer dizer, vivo como nos conhecemos o que seja estar vivo. A vida que compreendemos como vida necessita de oxigênio para existir. E a vida que conhecemos como existente é, fundamentalmente, constituída de carbono. Dois elementos químicos básicos para a existência de vida como conhecemos, oxigênio e carbono.

        O ciclo básico da vida que aprendemos no colegial: ingestão do gás oxigênio (O2) e eliminação de gás carbônico (CO2). A circulação das moléculas de O2 e CO2 garantem a manutenção da vida dos organismos. Outros elementos e substancias, além do O2 e do CO2, circulam na natureza e constituem uma complexa ecosfera.

O ciclo do oxigênio

        O ciclo do oxigênio é de fundamental importância para os organismos. O oxigênio existe nas mais diferentes combinações de compostos químicos. É no ar que encontramos a maior concentração de oxigênio para o uso dos organismos. Na atmosfera, o oxigênio pode ser encontrado como gás oxigênio, o O2, ou gás carbônico, o CO2.

        O oxigênio e o carbônico são usados pelos organismos para produzir energia. A energia produzida pelos organismos é trocada entre eles. Essa energia é reprocessada e reproduz mais O2 e mais CO2 num ciclo continuo de produção.

        O oxigênio é um elemento de diversas funções. A combinação de três átomos de oxigênio forma o gás ozônio que protege os organismos do planeta Terra contra as intensas irradiações solares

O pânico é excitação sem respiração

        A circulação de oxigênio é fator fundamental para o ciclo da ansiedade. Quando a sua ansiedade se intensifica, o seu coração bate mais rápido, o tempo da sua respiração diminui. O ciclo gás oxigênio-gás carbônico fica desequilibrado. Você inspira o O2, mas não respira no tempo necessário para processar o CO2. Então, você inspira mais O2 e não processa CO2. O seu sangue circula rapidamente, você produz uma enorme quantidade de hormônios, uma grande quantidade de pensamentos vai surgindo. Você está inundado de oxigênio e sente falta de ar. Você não sabe mais o que fazer na situação. Você entra em pânico, paralisa os movimentos, sai de si, sensação de morte, desmaia.

        Experimente: faça uma respiração lenta com pausas entre a inspiração e a expiração e tente ficar ansioso ao mesmo tempo.

        A vivencia de uma situação de estresse agita e acelera a produção de hormônios do organismo. Eventos estressantes muito além da capacidade de um organismo de lidar com eles, desestabilizam a sua firmeza e segurança, tornando-o vulnerável e impotente num mundo hiperperigoso. O que determina se um evento é estressante ou não, é a capacidade do organismo de lidar com esse evento. O estresse intolerável rompe com o equilíbrio do organismo, podendo paralisa-lo em um estado de hipervigilância e medo.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        É a concentração no que está acontecendo consigo que você faz contato gradual com as suas sensações a respeito do estimulo que o deixa desestabilizado.

Referencias

Ciclo do oxigênio e sua importância. Acesso em 06 de agosto de 2017. Disponível em