As pessoas vivem cheias de tedio

         Apesar de tantas opções de divertimento ou, talvez, por conta disso, as pessoas vivem cheias de tedio. Quando termina o divertimento, o passeio, a balada, o cinema, o almoço, as pessoas se dão conta que estão com elas mesmas. É quando o tedio se faz presente. Mas isso é bem fácil de explicar: é muito difícil ficar com alguém que a gente não conhece. Afinal, o que temos para conversar com essa pessoa?

         As pessoas estão sempre irritadas, intolerantes, contrariadas, sofrendo por antecipação. As pessoas se concentram apenas por poucos instantes e a memória retém muito pouca experiencia. As pessoas se comportam dessa mesma maneira com relação a si mesmas: convivem pouco consigo e se ignoram. As pessoas recebem muita informação, diariamente, sobre o mundo, sobre tudo o que está acontecendo. Mas a informação sobre si mesmas, onde é que elas conseguem?

         Algumas pessoas tem a estranha pratica de escovar os dentes após as refeições. Outras pessoas tem a estranha pratica de tomar banho pelo menos uma vez por dia. E quantas vezes por dia higienizamos nossas emoções e os nossos pensamentos? Se não escovamos os dentes após as refeições, o que fazemos com aquela sobra de comida que ficou entre os dentes? Se não tomamos banho, o que fazemos com o odor que exala do nosso corpo? E quando uma ansiedade nos invade, uma ideia punitiva nos atormenta, como procedemos?

O tedio é uma escolha?

         Somos mesmo livres? Os nossos pensamentos são tão livres que pensamos coisas que outras pessoas jamais pensaram? Escolhemos o que pensamos? E o que fazemos? Somos livres para fazer o que temos vontade? Estou sentado numa cadeira, sinto sede, me levanto da cadeira, caminho até a cozinha, abro a geladeira, pego o vasilhame com agua gelada, encho um copo com um pouco daquela agua. Como sou livre para fazer o que eu quero, eu jogo a agua na pia e retorno para sentar na cadeira onde me encontrava. Concluo, então, que sou livre para fazer o que quiser, mas continuo com sede. Mas por que é que isso não acontece com meus pensamentos e as minhas emoções? Meus pensamentos e minhas emoções me escravizam. Por que é que parece que é algo que pensa em mim e não eu que penso?

         Nossos pensamentos são formados nas nossas experiencias, nas nossas relações com o ambiente e na relação que mantemos com a gente mesmo. Aquilo a que chamamos de eu é um produto das interações que experienciamos com o mundo. Os nossos pensamentos são o produto da interação de vários fatores: nossa genética, as relações com o fisiológico de quem ou onde fomos gerados, o nosso ambiente social e geográfico, as nossas relações com a gente mesmo.

         Essas interações são realizadas sem que nós tenhamos quaisquer escolhas sobre como essas interações deveriam ser processadas. As escolhas que hoje fazemos estão fundamentadas no produto dessas interações que fizemos. Essas escolhas que hoje fazemos são tomadas fundamentadas em escolhas que não tivemos a menor influência sobre elas. Fizemos essas interações sem que pudéssemos decidir sobre qual direção tomar. E ainda dizem que somos livres para escolher? As nossas escolhas são o produto de uma escolha fundamentada numa base de dados sobre a qual tivemos muita pouca escolha.

Podemos desfazer o tedio?

         O registro das nossas experiencias é de certa forma construído sem a nossa influencia consciente. A nossa própria consciência é produto desses registros. Sendo assim, se é essa nossa consciência, fundada em bases por nos ignoradas, que representa a nossa capacidade de escolha, somos mesmo dotados de liberdade de escolha?

         Submetidos a ideia dessa suposta liberdade de escolha, muitas pessoas, em todas as sociedades do mundo, se cobram maneiras de comportamento. Essas pessoas se punem quando falham na obtenção das suas metas. As pessoas se punem caso se comportem de maneiras que não correspondam as suas expectativas.

         A consciência de um fenômeno não é uma compreensão direta daquele fenômeno. O que pensamos de um acontecimento é um produto gerado por um processo complexo que envolve as nossas sensações, as nossas emoções, os nossos sentimentos. As nossas emoções e os nossos sentimentos são também gerados por um complexo processo de produção do qual não temos nenhuma consciência. Mas nem tudo está perdido, se não podemos escolher como sentimos, podemos compreender como sentimos. E compreendendo como sentimos, podemos fazer diferente.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        Você não sabe como fazer isso sozinho? Mas quer fazer do seu jeito?

Referencias

CURY, Augusto. Ansiedade: como enfrentar o mal do século: a Síndrome do Pensamento Acelerado e como e por que a humanidade adoeceu coletivamente, das crianças aos adultos. São Paulo: Saraiva, 2014.

Como é que você sabe que você é você?

        Você sabe como você sabe o que você sente? Como é que você sabe que você é você que está sentindo? Você sabe como se ligam aquilo que você sabe, a mente, e aquilo que você sente, o corpo? Vamos tentar uma compreensão, dentre outras tantas que estão por aí.

        Você sabe o que é atitude? Alguns psicólogos definem atitude como um “constructo hipotético”. Chi …. Caramba! Já começou complicando! Sem estresse! Constructo hipotético é somente uma entidade que não existe fisicamente. Calma! Calma! Não é uma entidade espiritual. É uma ideia. Constructo hipotético é uma ideia sobre alguma coisa. A psicologia está repleta de constructos hipotéticos, assim como as pesquisas cientificas.

        Mas voltemos a atitude. Alguns cientistas creem que a atitude precede e causa o comportamento de uma pessoa, quando ela se encontra diante um objeto particular ou em uma certa situação. Quando os psicólogos falam de atitudes se referem em geral a um afeto ou disponibilidade para responder de certa maneira frente a um objeto ou fenômeno social. Hum… continua complicado! Calma, vamos pesquisando! Afinal, segundo alguns psicólogos, todos nós somos cientistas – eu, você, a torcida do Flamengo.

        Nina Bull, entre 1947/1951, examinou a relação entre a emoção e a postura, associando essa relação como uma relação entre o corpo e a mente. Vejam que coisa fantástica ela concluiu: que existe uma relação de sentimento que está associada com a emoção e uma atitude motora (postura ou posicionamento) e que uma mudança quantitativa nos sentimentos resulta numa mudança no comportamento expressivo.

        Que máximo! Quer dizer que se eu mudar a intensidade de um sentimento, por exemplo, a raiva, eu mudarei a minha postura? Mas claro, quanto mais raivoso mais tenso a gente vai ficando. Cada vez mais vou expressando uma postura parecida como uma postura de combate, de luta!

        Seis principais estados emocionais foram denominados por Nina Bull: alegria, triunfo, medo, raiva, desgosto e depressão. Uns deles possuem uma significação positiva, para algumas pessoas, como os que se traduzem como agradáveis: alegria e triunfo. Os demais inspiram estados desagradáveis, para alguns.

        Para cada emoção estudada, Nina Bull concluiu que existe um complexo particular de atitudes motoras, associadas com esta emoção. Ainda mais, ela afirma que determinados comportamentos aumentam, amplificam este sentimento. Em outras palavras, existe uma postura particular para cada emoção que intensifica as emoções, determinando-se desta forma a relação entre o afeto e o sistema nervoso.

        A sua atividade cognitiva, ou seja, seu pensamento, é, portanto, afetado por processos emocionais. Os rendimentos nos exames ou outras situações de avaliação podem ser diminuídos quando você é tomado por uma reação ansiosa de medo.

        Você pode estar se perguntando como isso acontece. Como as atitudes são ativadas e expressas no corpo? Tem gente que estuda isso e se apoia na hipótese de que as atitudes são ativadas e expressas no corpo através do sistema nervoso central e do sistema nervoso periférico.

        Ah… e você achava que era causado pelo sopro divino! Que nada, o neuroanatomista James Papez (1937) já demonstrara que a emoção não é função de centros cerebrais específicos e sim de um circuito, envolvendo quatro estruturas básicas, interconectadas por feixes nervosos: o hipotálamo, o tálamo, o giro cingulado e o hipocampo.

        Caramba! Quanta estrutura envolvida apenas para eu sentir raiva! É.… e ainda tem aquela tal amígdala. Amigdala? O que a sua amigdala tem a ver com as suas emoções? E quem fez cirurgia e retirou as amigdalas? Calma! Essa amigdala não é o gânglio linfático localizado na garganta, não. Essa amigdala é uma estrutura em forma de amêndoa, situada dentro da região anteroinferior do lobo temporal cerebral.

        Essa amigdala é fundamental para a autopreservação. Ela é o centro identificador do perigo. É a amigdala que nos possibilita o medo e a ansiedade, e nos coloca em situação de alerta. Sentindo medo e ansiedade você se prepara para fugir ou enfrentar o perigo. Essa amigdala cerebral é muita nossa amiga.

        Você sabe que todo cientista é uma pessoa cruel, né. Pois, então, você sabia que eles destruíram as amígdalas (são duas, uma para cada um dos hemisférios cerebrais) de um ratinho (os ratinhos são os bichinhos preferidos para a crueldade cientifica). Isso fez com que o bichinho se tornasse dócil, sexualmente não-discriminativo, afetivamente descaracterizado e indiferente às situações de risco.

        Emoções e sentimentos, como ira, pavor, paixão, amor, ódio, alegria e tristeza, são criações mamíferas, processadas no sistema límbico. É no sistema límbico que se organizam os pensamentos, as emoções e os desejos, e é onde a pessoa se reconhece como um eu. Atenção, onde se organizam e não onde se originam!

        Porém, esse acesso a como uma pessoa se reconhece como um eu, ainda não foi identificado diretamente no organismo físico.

Psicologia e Psicoterapia

Você não sabe como fazer isso sozinho?

Mas quer fazer do seu jeito?

Busque a ajuda de um psicólogo para fazer do seu jeito junto com você.

Referencias

FROHLICH, Sulamita e FRANCO, Carlos Alberto da silva. Os pares de nervos cranianos: uma abordagem em neurociência cognitiva. UFRJ – IM – DCC NEUROCIÊNCIA COGNITIVA E COMPUTAÇÃO MP – 01/2004. Acesso em 28 de janeiro de 2015. Disponível em

Os sentimentos nos tornam humanos

        O que são os “sentimentos – o que eles significam, como funcionam, de onde procedem, e como compreende-los e usa-los”.  “Nossos sentimentos são nosso sexto sentido, o sentido que interpreta, organiza, dirige e resume os outros cinco. Os sentimentos nos tornam humanos”.

        As ferramentas, os sentidos, com que cada um de nós percebe o mundo varia um pouco para cada um de nós, bem pouquinho. Mas o que varia mesmo, e muito, é a maneira como cada um de nós percebe como o mundo faz sentido. Este processo de integrar o mundo ao nosso próprio estilo é um processo universal, ou seja, todos nós nos comportamos dessa maneira. E é também um processo criativo, pois é ele que nos singulariza, nos torna pessoas únicas. “A pessoa que carrega consigo muita raiva não apaziguada, por exemplo, provavelmente achara o mundo que encontra também raivoso e, assim, justifica e perpetua seu próprio sentimento de raiva”.

        O mundo existe independente da nossa existência, porém, o mundo, para nós, é o que percebemos dele. O mundo é uma criação nossa. Quando compreendemos que somos nós que criamos o nosso mundo, nos tornamos responsáveis por nós mesmos, por nossa vida. Aquilo a que chamamos de realidade é compreendido pelos nossos sentimentos. A realidade é uma criação dos nossos sentimentos. Como cada um sente o mundo do seu próprio jeito, a realidade que compartilho com os outros é a minha realidade compartilhada com a realidade do outro, que é outra realidade diferente da minha.

        Os sentimentos são a maneira como nós percebemos o que denominamos de realidade. “Cada um de nós é os sentimentos que tem”.

        “Sem consciência do que significam nossos sentimentos, não há uma real consciência da vida. A realidade que fazemos derivar de nossas percepções, em grande parte, é criação de nossas próprias necessidades e expectativas”.

Os pensamentos

        Os sentimentos são processos criativos que ocorrem em todos os indivíduos humanos. Esses processos formam padrões de comportamentos que podem ser previsíveis e compreensíveis. Já os pensamentos são um modo indireto de perceber a realidade. São os nossos “sentimentos que nos dizem quando alguma coisa é dolorosa e machuca, porque os sentimentos são o machucado. O pensamento explica o machucado, justifica-o, racionaliza-o, coloca-o dentro de uma perspectiva”.

        A inteligência é uma qualidade cognitiva que não propicia nenhuma vantagem na compreensão dos sentimentos. Muitas das vezes é prejudicial para o processo de compreensão dos sentimentos. As pessoas, que se pensam mais inteligentes que as outras pessoas, pensam que podem compreender a vida ordenando os seus pensamentos.

As emoções

        É característica de todo organismo vivo reagir a uma ameaça de dano. Evitar um dano emocional é um processo básico de conservação da vida, existente em todo organismo vivo que se emociona. Às vezes, no entanto, reagimos com tanta intensidade contra um sentimento doloroso que construímos defesas contra a própria viabilidade da existência desse sentimento. Tal processo de evitação dos sentimentos torna difícil acessar e compreender o sentimento evitado, porque o “empurramos para debaixo do tapete”. Parece que com essa pratica intencionamos ganhar tempo para processar os sentimentos que nos incomodam. Nós nos afastamos dos nossos sentimentos para nos proteger deles, para evitar danos momentâneos. Com esse comportamento, adiamos o contato com o sofrimento causado, acreditando que escapamos dele.

Uma evolução da nossa maneira de sentir

        A primeira etapa do desenvolvimento humano é de total dependência. O bebe humano deixado por sua própria conta após o seu nascimento não sobrevivera. A dependência é um sentimento que nos acompanhara durante toda a nossa existência, apesar de todos os esforços para a independência.

        Aprendemos diversos comportamentos durante a nossa evolução para um humano adulto. Aprendemos a fazer coisas por nós mesmos e até alteramos a maneira de fazer as coisas que nos foi ensinada. Aprendemos a nos comportar por nossa própria capacidade. Em sequência a nossa evolução, aprendemos um jeito próprio de como fazer as coisas. A esse jeito próprio de fazer as coisas chamamos de liberdade. Essa liberdade para fazer as coisas da nossa própria maneira nos torna uma pessoa única, singular. Para essa nova característica adquirida, damos o nome de identidade.

        Quando estamos plenamente à vontade com os nossos sentimentos sem precisar nos afastar deles, adquirimos a capacidade de distinguir o que é o meu sentimento com relação ao mundo e o que é que acontece no mundo que me está afetando. Essa nova fase na nossa evolução é conhecida como autonomia. Essa autonomia é conseguida quando me comprometo com os meus sentimentos e deles me aproprio. Eu me aproximo dos meus sentimentos e cuido deles como se eles fossem um bebe, totalmente dependente.

        Mas como fazemos para nos comprometer com os nossos sentimentos? Como aprendemos a cuidar de nós mesmos?

 

Referencias

VISCOTT, David. A linguagem dos sentimentos. São Paulo: Summus, 1982.

Todos nós somos psicólogos práticos

Psicologia como ciência do comportamento

        Existe uma crença generalizada de que todos nós somos psicólogos práticos. Será realmente possível uma generalização sobre o comportamento do homem?

Do comportamento ao automatismo

        A tentativa da ciência de explicação das coisas apoia-se na noção de que os eventos são causas e efeitos de outros eventos sucessivos. A psicologia para ser reconhecida como ciência busca explicar o comportamento humano segundo o mesmo conceito.

        Entretanto, Sócrates (470-395 a.C.) já havia trazido uma explicação moralista e ética a respeito do comportamento do homem. Bem como Platão (427-347 a.C.) com a sua explicação racional de que o mundo que vivenciamos é uma ilusão e o mundo real seria o mundo das ideias.

        Porém, com Aristóteles (384-322 a.C.) valoriza-se a observação como forma de se chegar a explicar os eventos. Incluindo-se, nesses eventos, o comportamento do homem.

        Lá pelos anos 1250, “Tomás de Aquino (1224-1275) se utilizou das ideias de Aristóteles sobre as relações corpo-alma” e as suas observações sobre o funcionamento do homem para sustentar as suas crenças religiosas.

        No século 16, René descartes (1596-1650), constitui o homem sendo composto por duas realidades. Uma realidade material, “o corpo, comparável a uma máquina e, portanto, cujos movimentos seriam previsíveis a partir do conhecimento de suas ‘peças’ e relações entre elas”. E de uma outra realidade, imaterial, “a alma, livre dos determinismos físicos”. Com Descartes, a alma não poderia ser estudada pelas leis das ciências naturais: a biologia, a física e a química.

        Dessa concepção sobre o homem decorre duas áreas de estudo: “a parte material, o corpo, a quem se deveria dedicar a ciência; e a parte imaterial, a alma ou mente, domínio da filosofia”.

Corpo versus mente

        “Os filósofos dos séculos 18 e 19, que tinham a mente e o seu funcionamento como objeto de estudo de grande interesse, dividiram-se em duas escolas de pensamento: o empirismo inglês e o racionalismo alemão”.

        “John Locke (1632-1704) é considerado o fundador do empirismo. Comparou a mente com uma ‘tabula rasa’ onde seriam impressas, pela experiência, todas as ideias e o conhecimento”. Nada existiria na mente que não tivesse passado pelos sentidos.

        Por outro lado, “os filósofos racionalistas acreditavam que a mente tinha a capacidade inata para gerar ideias, independentemente dos estímulos do meio ambiente”. Esses filósofos acreditavam que o ente humano seria uma máquina dois em um, composta por dois elementos. Um dos elementos era o corpo, sensível ao mundo externo irreal e, o outro elemento, a alma, insensível ao mundo externo.

        Os racionalistas enfatizaram que “a percepção é ativamente seletiva e não um processo passivo de registro, como colocavam os empiristas, e, também, afirmando que fazemos interpretações individuais das informações dos órgãos dos sentidos”. Como as interpretações são individuas, cada um de nós, por isso, percebe coisas diferentes de um mesmo acontecimento.

        Para os empiristas, a percepção era composta de partes, ou elementos mais simples. “Para os racionalistas, cada percepção é uma entidade indivisível, global, cuja analise destruiria suas características próprias”.

        Apesar de percebida como produto de origem corporal, a mente era concebida como um fenômeno imaterial. Porém, “um grupo de pesquisadores procurou mostrar que havia relação entre as características dos estímulos e a percepção dos mesmos”.

Do que a mente é ao que a mente faz

        Gustav Theodor Feccher (1801-1887) é considerado o ‘fundador da Psicofísica’ ou o ‘pai da Psicologia Experimental’. A psicologia pode ser descrita como o estudo quantitativo das relações existentes entre a vida mental e os estímulos do mundo físico.

        Costuma-se estabelecer como data para o nascimento da psicologia, tal qual conhecemos hoje, o ano de 1879, quando Wilhelm Wundt (1832-1920) criou o primeiro laboratório de psicologia na Universidade de Leipzig, na Alemanha.

        Wundt fez nascer uma escola psicológica que se denominou estruturalismo porque buscava a estrutura da mente, isto é, compreender os fenômenos mentais pela decomposição dos estados de consciência produzidos pela estimulação ambiental.

        Em seguida despontam os funcionalistas William James (1842-1910), John Dewey (1859-1952) e James Cattel (1860-1944) que se interessaram mais no que a mente faz, nas suas funções, do que no que a mente é, ou em como se estrutura.

        Baseados nas concepções de Charles Darwin (1809-1882) sobre a evolução orgânica com a finalidade de adaptação ao ambiente, os funcionalistas estabeleceram, como objeto da psicologia, a interação continua entre o organismo e o seu ambiente.

        A importância do funcionalismo está na amplitude de interesses que trouxe para a psicologia. É a partir de Darwin que se tomam, para estudo, problemas práticos e relevantes da nossa vida cotidiana. Qual seria a finalidade de se estudar os problemas práticos e relevantes da nossa vida cotidiana? A quem pode interessar o estudo dos problemas práticos e relevantes da nossa vida cotidiana? Seria a psicologia, a ciência mais capacitada para estudar esses problemas práticos e relevantes da nossa vida cotidiana? Esse estudo é, realmente, necessário? A psicologia é necessária? O que a psicologia pode fazer por você?

Referencias

BRAGHIROLLI, Elaine Maria, BISI, Guy Paulo, RIZZON, Luiz Antônio e NICOLETTO, Ugo. Psicologia geral. Petrópolis: Vozes, 2010.

Será que esse tal de psicológico existe?

Não julgar “é uma postura tipicamente pós-moderna. A crítica é característica da modernidade” (Maffesoli, 2008).

        O psicológico existe ou é mais uma das invenções do homem? Você já percebeu que o que chamamos de psicológico é sempre alguma coisa abstrata? Você nunca viu o psicológico. Você nunca ouviu o psicológico. Você nunca tocou num psicológico. Você já cheirou um psicológico? Você sabe que sabor tem o psicológico? Será que esse tal de psicológico existe?

        Às vezes, esse tal de psicológico é uma manifestação de processos internos que acontecem em você, outras vezes é um produto das suas vivências externas. Às vezes, esse tal de psicológico é um conteúdo do seu mundo interno, outras vezes é um processo desse mesmo mundo. Mas esse tal de psicológico é sempre visto de forma abstrata e como se fosse natural, quer dizer, como se sempre tivesse sido desse jeito.

        Outra característica, desse tal de psicológico é que ele é considerado como algo da espécie homem. Isso quer dizer que todos os indivíduos da espécie homem, sem exceção, têm esse tal do psicológico.

        Você pode nomear, esse tal de psicológico, por um número enorme de palavras e expressões, como por exemplo: manifestações do aparelho psíquico, individualidade, subjetividade, mundo interno, manifestações do homem, pensar e sentir o mundo, consciência, inconsciente, vivências, engrenagens de emoções, motivações, comportamentos, habilidades e potencialidades, experiências emocionais, conflitos pulsionais, psique, pensamento, sensações, entendimento de si e do mundo, manifestações da vida mental, tudo que é percebido pelos sentidos (Bock, 1997).

        Ufa, quantos nomes para se chamar esse tal de psicológico! Será que esse tal de psicológico é mesmo o mesmo para toda a espécie homem? Ou estamos falando de algo que não existe ou que é único para cada um de nós, por isso esses vários nomes? Bem, para simplificar, vou considerar que esse tal de psicológico existe e é único para cada um de nós, embora possa ser chamado por vários nomes.

        Bem, vou escolher chama-lo de subjetividade. Vou chamar esse tal de psicológico de subjetividade para pensar um pouco sobre a sua construção. Escolhi subjetividade porque é como esse tal de psicológico é mais tratado na atualidade por aqueles que “juram” que ele existe.

        O que a palavra subjetividade lhe sugere? Ela lhe parece sugerir imediatamente interioridade? Você confirma? Essa é a percepção mais utilizada atualmente – subjetividade tem a ver com interioridade. Mas porque rapidamente relacionamos subjetividade e interioridade?

        Você sabia que subjetividade e interioridade são enunciados de origens diversas que são posteriormente superpostos pelos discursos psicológicos? Isso mesmo, os discursos psicológicos criaram uma relação de reciprocidade entre subjetividade e interioridade.

        Mas, você sabe, que, ao contrário, a subjetividade, além de ser da ordem dos efeitos, é também da ordem da exterioridade? Ou seja, a subjetividade é produzida em relações saber/poder e também de você consigo mesmo, quando você se coloca como objeto para um trabalho sobre si mesmo, como fazem as ciências, as filosofias, as religiões, as psicologias, as sociologias, etc. (Prado Filho e Martins, 2007).

        Então, você percebe que tanto a subjetividade quanto a interioridade são produções (invenções, criações do homem ou descobertas?) históricas. Michel Foucault, um francês muito insatisfeito e critico com que os outros diziam, afirmou que o cristianismo inventou a interioridade e a modernidade inventou a subjetividade.

        Então, essa relação entre estas duas figuras do discurso – subjetividade e interioridade – é uma relação histórica inventada pela espécie homem. A noção de interioridade inventada pelo cristianismo, há vinte séculos atrás, é anterior a noção de subjetividade inventada na era moderna, que ainda vai completar cinco séculos.

        Você, tão esperto quanto Foucault, percebe que isso indica que o moderno conceito de subjetividade se apoia na ideia cristã de interioridade. Portanto, a nossa vivencia da subjetividade encontra-se, por isso mesmo, totalmente contaminada pela concepção cristã de interioridade (Prado Filho e Martins, 2007).

        Você, como qualquer outro indivíduo da espécie homem, considera que o indivíduo da espécie homem é um animal nesse planeta capaz de produzir as suas próprias condições de existência? Se sim, compreende que a sua subjetividade surge das suas relações sociais com os outros indivíduos da espécie homem e com as coisas que produzimos. Portanto, você concluirá que a sua subjetividade tem a ver com o acesso e o controle das condições sociais de vida disponíveis a você (Lacerda Junior, 2010).

        Sob este aspecto, você percebe que cada indivíduo da espécie homem é uma forma autentica de conhecer a realidade? Você compreende que qualquer cientista, filosofo ou religioso produz sabedoria tão legítima em relação à vida social quanto você também produz?

        Este posicionamento implica que o sentido de verdade e a supremacia do valor da ciência, da filosofia ou da religião, como formas de produção da verdade, é inconsistente. A compreensão da vida passa também pela sua forma de apreender a realidade (Canda, 2010).

        Sendo assim, agora, você sabe o que responder à pergunta do nosso texto – será que esse tal de psicológico existe?

 

Palestra – Mario Sergio Cortella – Você sabe com quem está falando? – Legendado – Duração 9:02

 

Referencias

BOCK, Ana Mercês Bahia. Formação do psicólogo: um debate a partir do significado do fenômeno psicológico. Psicologia ciência e profissão, 1997,17, (2), 37 – 42. Acesso em 18 de outubro de 2014. Disponível em

CANDA, Cilene Nascimento. Lá vai a vida a rodar: reflexões sobre práticas cotidianas em Michel Maffesoli. Revista Rascunhos Culturais •Coxim/MS • v.1 • n.2 • p. 63 – 77 • jul /dez, 2010. Acesso em 12 de maio de 2015. Disponível em

LACERDA JUNIOR, Fernando. Psicologia para fazer a crítica? Apologética, individualismo e marxismo em alguns projetos PSI. PUC-Campinas, 2010. Acesso em 28 de março de 2013. Disponível em

PRADO FILHO, Kleber; MARTINS, Simone. A subjetividade como objeto da (s) Psicologia (s). Psicologia & Sociedade; 19 (3): 14-19, 2007. Acesso em 07 de setembro de 2013. Disponível em

Sentimentos de dor e de prazer formam o nosso jeito de ser

Dar a palavra aos sentimentos

        O que é dor? O que é prazer? Como você sabe que sente dor e não prazer ou vice-versa? Você já pensou que o seu jeito de sentir dor ou de sentir prazer tem a ver com a maneira como você lida com as coisas da sua vida? Os nossos sentimentos de dor e de prazer formam o nosso jeito de ser. Os sentimentos de dor ou prazer constituem os nossos padrões mentais.

        “Dentre todos os fenômenos mentais que podemos descrever, os sentimentos e os seus ingredientes essenciais – a dor e o prazer – são de longe os menos compreendidos no que diz respeito a sua biologia e em particular a neurobiologia”.

        Algum dia você já se perguntou para que serve ter sentimentos? Você, uma vez, não, algumas vezes, pensou que preferia levar a vida do seu animalzinho de estimação? Afinal, ele tem comida na hora certa, dorme quando quer e ainda tem o seu carinho e o seu cuidado!

        E quanto a você? Esse animalzinho que sente, nem sempre estimado, o que lhe provoca dor? Outras vezes, muito amado e bem cuidado, transborda de prazer; prazer que passa tão rápido! Talvez o melhor mesmo fosse não sentir. Melhor do que ficar nessa gangorra de ajustes e correções para atingir um equilíbrio entre a dor e o prazer.

A emoção e os sentimentos humanos, os nossos afetos

        Dor e prazer talvez sejam dois conceitos fundamentais na tentativa de compreender os seres humanos e as suas maneiras de viver.

        Tomemos por exemplo que você pode pensar que o amor é um estado agradável causado por algo exterior a você. Bem, então essa é uma ideia que você tem sobre algo exterior a você que lhe causa um estado agradável. A essa ideia você chama de amor.

        Então, o que você faz é separar o processo de sentir do processo de ter uma ideia sobre algo exterior que lhe pode causar uma emoção. No exemplo acima, o amor, um estado agradável. Quando você desloca a sua emoção para uma ideia, você evita lidar com a dor ou o prazer que essa emoção possa lhe proporcionar.

        Apreciemos agora o fato de como você faz para evitar sentir dor ou prazer ou sentir mais dor e mais prazer. Suponha que você está sentindo uma emoção que lhe provoca dor. Você pode querer sentir mais dor ou deixar de sentir a dor. O que você faz?

        Vamos supor, por exemplo, que o seu estado emocional, no momento, é uma saudade. Essa saudade lhe provoca um estado desagradável que chamaremos de dor. Você, então, busca lembrar de mais coisas que lhe aumentam o nível do seu estado desagradável de dor. Então, você sente mais saudade, mais dor.

        Agora, você não suporta mais esse estado desagradável de dor, por sentir saudade, em que você se encontra. O que você faz para parar de sentir essa dor? Como você faz para parar de sentir essa saudade?

        O poder dos afetos é tal que a única possiblidade de, no nosso caso, deixar de sentir dor é sentir um afeto contrário ainda mais forte do que esse que estamos sentindo. A esse afeto mais forte que a dor que estamos sentindo chamamos de prazer. Na psicoterapia, vivenciamos as nossas dores e nos abrimos para os sentimentos de prazer que nos reeducam para lidar com as nossas dores.

 

“Um afeto não pode ser controlado ou neutralizado exceto por um afeto contrário mais forte do que o afeto que necessita ser controlado”.

 

Referencias

DAMÁSIO, António. Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

O que a Psicologia pode fazer por você?

        Você já se perguntou o que o psicólogo pode fazer para ajudá-lo? Você pensa que a Psicologia serve apenas para tratar de doenças mentais. E como você não é “maluco”, então você não precisa da ajuda do psicólogo. A Psicologia pode fazer muito por você, com a sua ajuda, é claro. Mas o que a Psicologia pode fazer por você?

        Os Psicólogos lidam com problemas práticos do nosso cotidiano. A Psicologia se interessa pelo estudo das nossas atitudes e por diversas atividades da nossa vida. Os psicólogos podem ajudar quando usam seus conhecimentos para tornar a sua vida mais satisfatória para você.

        Algumas pessoas têm problemas de saúde emocionais ou mentais específicos, como a depressão ou a esquizofrenia. Outras pessoas têm dificuldades com a organização dos seus pensamentos e da sua fala ou dificuldades de lembrar das coisas. Essas dificuldades podem se mostrar de diversas formas. Elas podem ser congênitas ou vir após uma doença ou acidente ou com o envelhecimento.

        A Psicologia pode ajudar as pessoas a gerir melhor as suas vidas. Os psicólogos podem ajudá-lo a lidar com seus mal-estares como a convivência com a aids, o câncer ou outros estados crônicos.

        A Psicologia também pode ajudar no aconselhamento sobre como cuidar de crianças e lidar com adolescentes. Os Psicólogos podem ainda trabalhar com casais em dificuldades de relacionamento. Essa ajuda pode acontecer através da psicoterapia ou de entrevistas de aconselhamento.

        Os Psicólogos podem ajudar no desenvolvimento humano desde o seu nascimento até a sua morte. A Psicologia estuda os processos de ensino e de aprendizagem, identificando as suas inconsistências e problemas. A Psicologia também estuda os procedimentos adotados na educação e em programas de saúde.

        A Psicologia também pode ajudar pessoas com deficiências a lidar com o seu desempenho e as suas necessidades. Os psicólogos contribuem para adaptar as necessidades das pessoas aos seus ambientes e vice-versa.

        Existem muitos livros, blogs, revistas, programas de rádio e TV, reuniões religiosas ou vizinhos nos dizendo como levar a nossa vida. “Para ser o melhor naquilo que faz, você deveria… Não é desse jeito que se faz, não. É assim…” Será que essas orientações podem mesmo ser uteis para resolver os seus problemas?

        A Psicologia pode ajuda-lo sobre que faculdade cursar ou a escolha de uma carreira. Os psicólogos podem ajuda-lo como modificar suas carreiras e como seguir novos desafios profissionais.

        A Psicologia também pode ajudar gestores de empresas a organizar seus ambientes de trabalho. Os psicólogos selecionam, recrutam e treinam funcionários para cargos em empresas. A Psicologia pode ajudar as empresas a identificar os seus problemas de gestão.

        Muitos dos desafios que enfrentamos na nossa vida cotidiana e não conseguimos solucionar sozinhos de forma satisfatória podem ser facilitados com a ajuda de psicólogos.

A psicologia pode ajudá-lo em muitas áreas da sua vida

– A Psicologia pode ajudá-lo a lidar com a depressão, o estresse, o trauma ou as fobias;

– A Psicologia pode ajudá-lo a lidar com os efeitos da separação, da falta, da ausência ou da perda dos seus familiares e afetos;

– A Psicologia pode ajudá-lo a estabelecer e cumprir suas metas de parar de fumar, perder peso, aprender um novo idioma;

– A Psicologia pode ajudá-lo na recuperação de lesões ou doenças;

– A Psicologia pode ajudá-lo a potencializar o acesso a sua memória e a qualidade da sua atenção;

– A Psicologia pode ajudá-lo a aprender como se comunicar de forma mais satisfatória e a lidar com o medo de falar em público;

– A Psicologia pode ajudá-lo a lidar com o desenvolvimento dos seus filhos, com o seu relacionamento com seu pai, mãe e avos;

– A Psicologia pode ajudá-lo a se tornar mais produtivo e evitar a procrastinação;

– A Psicologia pode ajudá-lo nas suas atividades e desempenhos profissionais;

– A Psicologia pode ajudá-lo na tomada de decisões;

– A Psicologia pode ajudá-lo a compreender as suas ações e reações emocionais.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

O que um psicólogo faz? – Duração 3:37

O que é psicologia?

        Alguns diriam que a psicologia é o estudo da psique, da alma. Entre outros problemas, essa definição coloca a questão de saber-se o que é a alma. Ou aceitar a hipótese de que existe uma alma sem saber-se o que ela seja. Mas essa alma para ser estudada necessita estar encarnada num corpo, portanto, não existe psicologia sem biologia. Então, o que é psicologia?

        É também conhecida a definição de psicologia como o estudo da mente. Essa definição também traz a questão de saber-se o que é a mente. Outra definição quer que a psicologia seja a ciência que estuda o comportamento. Essa também levanta a questão de saber-se o que é o comportamento.

 

A psicologia como ciência natural

        A definição de ciência da alma torna a psicologia dependente de sistemas filosóficos antigos. Nesses sistemas, a alma, a psique, é tida como um ser natural. Um ser natural é algo que existe na natureza. A física trata a alma como a forma do corpo vivo e não como uma substancia independente da matéria.

 

A psicologia como ciência da subjetividade

        O nascimento da psicologia como ciência da mente data do século 18. A realidade do mundo não é o que percebemos. Mas a realidade do mundo depende do sujeito que a experimenta. Nasce a psicologia como ciência da subjetividade, do sujeito que experimenta.

        A psicologia da subjetividade se propõe a estudar a consciência de si ou a ciência do sentido interno. A psicologia tem o sentido de ciência do eu. Os problemas obtidos com essas definições remetem-nos a questão do que seja o sujeito e do que seja o eu.

 

A psicologia como ciência das reações e do comportamento

        A partir do século 19, uma nova psicologia passou a ser constituída. A mente e a subjetividade, antes, determinantes da experiencia, passam a ser o que serve aos órgãos e não mais o que se serve deles.

        Vemos coexistir lado a lado uma psicologia formada por diversas definições de psicologia. Uma psicologia fundamentada em distúrbios mentais, outra psicologia fundamentada numa ciência da patologia dos nervos. Uma psicologia dando ênfase a física do sentido externo, outra psicologia enfatizando o sentido do eu. E uma psicologia definida como o estudo de uma biologia do comportamento humano. Vemos coexistir diversas psicologias.

 

O que é psicologia?

        “Por não poder responder exatamente sobre o que é, tornou-se bastante difícil para o psicólogo responder sobre o que faz” (Canguilhem, 1956).

 

Comportamento e interação

        “A psicologia estuda interações de organismos, vistos como um todo, com seu meio ambiente. A psicologia se ocupa fundamentalmente do homem” (Todorov, 2007).

        Mais uma definição repleta de problemas. Entre tantas questões, é necessário saber-se o que é o homem e o que é esse todo que se observa do organismo.

        “Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação. Se, por acaso, o meio se modifica, formas antigas de comportamento desaparecem enquanto novas consequências produzem novas formas” (Todorov, 2007).

 

Comportamento

        “O comportamento não pode ser entendido isolado do contexto em que ocorre” (Todorov, 2007). O comportamento depende do ambiente em que ocorre. Bem como, o estimulo e a reação dependem do comportamento e do ambiente. Comportamento, ambiente, estimulo e reação são interdependentes. Um não pode ser definido sem referência ao outro.

 

Causa, efeito, contexto e interações

        Percebe-se que a causa que determina um efeito acontece apenas sob certas condições, certo contexto. Se mudarmos as condições, ou seja, as características atuais do contexto, o efeito não seguiria a mesma causa. O contexto também tem características temporais, quer dizer, o contexto é tudo aquilo que ocorre e já ocorreu para que uma causa resulte num certo efeito.

        O contexto ainda pode ser manipulado. Eu posso selecionar algumas variáveis como causa e designar outras como contexto. Eu posso manipular aquilo que observo.

        “Portanto, o termo ‘causa’ tem sentido apenas dentro de uma teoria ou modelo. Não há uma causa real de um dado evento. Há apenas modelos do mundo mais ou menos adequados, e sempre passiveis de modificação” (Todorov, 2007).

        Mas, afinal das contas, o que é psicologia? Nada mais sábio que o dito popular “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” ou “cada caso é um caso” ou ainda “cada um com seu cada um”. Talvez exista tantas psicologias quantas formas de vida. Quando pudermos definir o que é a vida, talvez possamos responder o que é psicologia.

O que é a psicologia? – Duração 2:09

 

Referencias

CANGUILHEM, George. O que é a psicologia? Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em

TODOROV, Joao Claudio. A psicologia como o estudo de interações. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 2007, vol. 23 n. especial, pp. 057-061. Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em