Os sentimentos nos tornam humanos

        O que são os “sentimentos – o que eles significam, como funcionam, de onde procedem, e como compreende-los e usa-los”.  “Nossos sentimentos são nosso sexto sentido, o sentido que interpreta, organiza, dirige e resume os outros cinco. Os sentimentos nos tornam humanos”.

        As ferramentas, os sentidos, com que cada um de nós percebe o mundo varia um pouco para cada um de nós, bem pouquinho. Mas o que varia mesmo, e muito, é a maneira como cada um de nós percebe como o mundo faz sentido. Este processo de integrar o mundo ao nosso próprio estilo é um processo universal, ou seja, todos nós nos comportamos dessa maneira. E é também um processo criativo, pois é ele que nos singulariza, nos torna pessoas únicas. “A pessoa que carrega consigo muita raiva não apaziguada, por exemplo, provavelmente achara o mundo que encontra também raivoso e, assim, justifica e perpetua seu próprio sentimento de raiva”.

        O mundo existe independente da nossa existência, porém, o mundo, para nós, é o que percebemos dele. O mundo é uma criação nossa. Quando compreendemos que somos nós que criamos o nosso mundo, nos tornamos responsáveis por nós mesmos, por nossa vida. Aquilo a que chamamos de realidade é compreendido pelos nossos sentimentos. A realidade é uma criação dos nossos sentimentos. Como cada um sente o mundo do seu próprio jeito, a realidade que compartilho com os outros é a minha realidade compartilhada com a realidade do outro, que é outra realidade diferente da minha.

        Os sentimentos são a maneira como nós percebemos o que denominamos de realidade. “Cada um de nós é os sentimentos que tem”.

        “Sem consciência do que significam nossos sentimentos, não há uma real consciência da vida. A realidade que fazemos derivar de nossas percepções, em grande parte, é criação de nossas próprias necessidades e expectativas”.

Os pensamentos

        Os sentimentos são processos criativos que ocorrem em todos os indivíduos humanos. Esses processos formam padrões de comportamentos que podem ser previsíveis e compreensíveis. Já os pensamentos são um modo indireto de perceber a realidade. São os nossos “sentimentos que nos dizem quando alguma coisa é dolorosa e machuca, porque os sentimentos são o machucado. O pensamento explica o machucado, justifica-o, racionaliza-o, coloca-o dentro de uma perspectiva”.

        A inteligência é uma qualidade cognitiva que não propicia nenhuma vantagem na compreensão dos sentimentos. Muitas das vezes é prejudicial para o processo de compreensão dos sentimentos. As pessoas, que se pensam mais inteligentes que as outras pessoas, pensam que podem compreender a vida ordenando os seus pensamentos.

As emoções

        É característica de todo organismo vivo reagir a uma ameaça de dano. Evitar um dano emocional é um processo básico de conservação da vida, existente em todo organismo vivo que se emociona. Às vezes, no entanto, reagimos com tanta intensidade contra um sentimento doloroso que construímos defesas contra a própria viabilidade da existência desse sentimento. Tal processo de evitação dos sentimentos torna difícil acessar e compreender o sentimento evitado, porque o “empurramos para debaixo do tapete”. Parece que com essa pratica intencionamos ganhar tempo para processar os sentimentos que nos incomodam. Nós nos afastamos dos nossos sentimentos para nos proteger deles, para evitar danos momentâneos. Com esse comportamento, adiamos o contato com o sofrimento causado, acreditando que escapamos dele.

Uma evolução da nossa maneira de sentir

        A primeira etapa do desenvolvimento humano é de total dependência. O bebe humano deixado por sua própria conta após o seu nascimento não sobrevivera. A dependência é um sentimento que nos acompanhara durante toda a nossa existência, apesar de todos os esforços para a independência.

        Aprendemos diversos comportamentos durante a nossa evolução para um humano adulto. Aprendemos a fazer coisas por nós mesmos e até alteramos a maneira de fazer as coisas que nos foi ensinada. Aprendemos a nos comportar por nossa própria capacidade. Em sequência a nossa evolução, aprendemos um jeito próprio de como fazer as coisas. A esse jeito próprio de fazer as coisas chamamos de liberdade. Essa liberdade para fazer as coisas da nossa própria maneira nos torna uma pessoa única, singular. Para essa nova característica adquirida, damos o nome de identidade.

        Quando estamos plenamente à vontade com os nossos sentimentos sem precisar nos afastar deles, adquirimos a capacidade de distinguir o que é o meu sentimento com relação ao mundo e o que é que acontece no mundo que me está afetando. Essa nova fase na nossa evolução é conhecida como autonomia. Essa autonomia é conseguida quando me comprometo com os meus sentimentos e deles me aproprio. Eu me aproximo dos meus sentimentos e cuido deles como se eles fossem um bebe, totalmente dependente.

        Mas como fazemos para nos comprometer com os nossos sentimentos? Como aprendemos a cuidar de nós mesmos?

 

Referencias

VISCOTT, David. A linguagem dos sentimentos. São Paulo: Summus, 1982.

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