Sentimentos de dor e de prazer formam o nosso jeito de ser

Dar a palavra aos sentimentos

        O que é dor? O que é prazer? Como você sabe que sente dor e não prazer ou vice-versa? Você já pensou que o seu jeito de sentir dor ou de sentir prazer tem a ver com a maneira como você lida com as coisas da sua vida? Os nossos sentimentos de dor e de prazer formam o nosso jeito de ser. Os sentimentos de dor ou prazer constituem os nossos padrões mentais.

        “Dentre todos os fenômenos mentais que podemos descrever, os sentimentos e os seus ingredientes essenciais – a dor e o prazer – são de longe os menos compreendidos no que diz respeito a sua biologia e em particular a neurobiologia”.

        Algum dia você já se perguntou para que serve ter sentimentos? Você, uma vez, não, algumas vezes, pensou que preferia levar a vida do seu animalzinho de estimação? Afinal, ele tem comida na hora certa, dorme quando quer e ainda tem o seu carinho e o seu cuidado!

        E quanto a você? Esse animalzinho que sente, nem sempre estimado, o que lhe provoca dor? Outras vezes, muito amado e bem cuidado, transborda de prazer; prazer que passa tão rápido! Talvez o melhor mesmo fosse não sentir. Melhor do que ficar nessa gangorra de ajustes e correções para atingir um equilíbrio entre a dor e o prazer.

A emoção e os sentimentos humanos, os nossos afetos

        Dor e prazer talvez sejam dois conceitos fundamentais na tentativa de compreender os seres humanos e as suas maneiras de viver.

        Tomemos por exemplo que você pode pensar que o amor é um estado agradável causado por algo exterior a você. Bem, então essa é uma ideia que você tem sobre algo exterior a você que lhe causa um estado agradável. A essa ideia você chama de amor.

        Então, o que você faz é separar o processo de sentir do processo de ter uma ideia sobre algo exterior que lhe pode causar uma emoção. No exemplo acima, o amor, um estado agradável. Quando você desloca a sua emoção para uma ideia, você evita lidar com a dor ou o prazer que essa emoção possa lhe proporcionar.

        Apreciemos agora o fato de como você faz para evitar sentir dor ou prazer ou sentir mais dor e mais prazer. Suponha que você está sentindo uma emoção que lhe provoca dor. Você pode querer sentir mais dor ou deixar de sentir a dor. O que você faz?

        Vamos supor, por exemplo, que o seu estado emocional, no momento, é uma saudade. Essa saudade lhe provoca um estado desagradável que chamaremos de dor. Você, então, busca lembrar de mais coisas que lhe aumentam o nível do seu estado desagradável de dor. Então, você sente mais saudade, mais dor.

        Agora, você não suporta mais esse estado desagradável de dor, por sentir saudade, em que você se encontra. O que você faz para parar de sentir essa dor? Como você faz para parar de sentir essa saudade?

        O poder dos afetos é tal que a única possiblidade de, no nosso caso, deixar de sentir dor é sentir um afeto contrário ainda mais forte do que esse que estamos sentindo. A esse afeto mais forte que a dor que estamos sentindo chamamos de prazer. Na psicoterapia, vivenciamos as nossas dores e nos abrimos para os sentimentos de prazer que nos reeducam para lidar com as nossas dores.

 

“Um afeto não pode ser controlado ou neutralizado exceto por um afeto contrário mais forte do que o afeto que necessita ser controlado”.

 

Referencias

DAMÁSIO, António. Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Significados contem alto grau de contaminação normativa

        A palavra psicoterapia é formada por duas outras palavras cujos significados contem alto grau de contaminação normativa. Psico, que vem de psique, de origem grega, adquiriu qualidades divinas ao ser entendido hegemonicamente como alma, embora os gregos antigos também a utilizassem para se referir ao sangue e à respiração.

        E terapia, também de origem grega, significava o tratamento de uma doença. Entre nós, está consagrada como o ato de curar. Podemos concluir então que psicoterapia é o ato de curar a alma de uma doença.

        Não é nenhum pouco espantoso, então, se temer a psicoterapia, já que é um “tratamento” para curar a sua alma de uma doença. Quer dizer, somente no início, porque no decorrer do processo psicoterapêutico você pode descobrir que sofre de metástase psíquica.

        O que pode ser mais assustador do que você ser “tratado” de doente por ser o que você é?

Mas, afinal, para que serve a psicoterapia?

        Hoje se compreende que qualquer atividade que propicie bem-estar é terapêutico. Caminhar, jogar, cozinhar, correr ou falar dos outros. Espezinhar alguém, matar ou roubar, também é terapêutico para muitos. Então, terapêutico ainda tem a ver com cura?

        Atualmente, se diz terapêutico e não mais psicoterapêutico. Onde foi parar a psique, a alma? Ela se tornou prescindível? Quer dizer que você não precisa mais de uma alma? Que você não tem mais alma?

 

        Veja que apesar das qualidades divinas da alma, você a trata como um objeto, algo que “você” tem. Algo como uma família, um carro ou um sapato. Onde foi mesmo que você deixou a sua alma?

        Pois então, chega. “Eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou. Saber quem eu sou? ” (Cazuza, 1988). Você já não tem mesmo mais nenhuma alma para curar!

        A psicoterapia reúne um conjunto de técnicas especificas para lhe facilitar a compreensão de si mesmo.

        De início, o simples compartilhar dos conflitos já ajuda a aliviar a pressão causadora do sofrimento. Durante o processo terapêutico, você passa a compreender como se formam os seus comportamentos. Desta maneira você pode perceber as situações por outros ângulos.

        O processo toma tempo, demanda esforço e comprometimento da sua parte. É um processo algumas vezes doloroso. Pode ser como tratar uma ferida.

Mas afinal, o que é a Psicoterapia?

        A Psicoterapia consiste em sessões regulares de Psicologia Clínica.

        Ao longo das sessões de psicoterapia, você experiencia novas situações, emoções, outras facetas de si, novas formas de comportamento e se convence de que você consegue fazer coisas de maneiras diferentes e satisfatórias para si.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        A psicoterapia nada mais é que um espaço para você dizer de si, para você ouvir a sua própria voz. É o espaço em que se torna possível você expressar a sua angústia – tão verdadeiramente sentida, através daquele “aperto no peito” – e dar-lhe uma forma mais consciente de contornos firmes e concretos.

O que a Psicologia pode fazer por você?

        Você já se perguntou o que o psicólogo pode fazer para ajudá-lo? Você pensa que a Psicologia serve apenas para tratar de doenças mentais. E como você não é “maluco”, então você não precisa da ajuda do psicólogo. A Psicologia pode fazer muito por você, com a sua ajuda, é claro. Mas o que a Psicologia pode fazer por você?

        Os Psicólogos lidam com problemas práticos do nosso cotidiano. A Psicologia se interessa pelo estudo das nossas atitudes e por diversas atividades da nossa vida. Os psicólogos podem ajudar quando usam seus conhecimentos para tornar a sua vida mais satisfatória para você.

        Algumas pessoas têm problemas de saúde emocionais ou mentais específicos, como a depressão ou a esquizofrenia. Outras pessoas têm dificuldades com a organização dos seus pensamentos e da sua fala ou dificuldades de lembrar das coisas. Essas dificuldades podem se mostrar de diversas formas. Elas podem ser congênitas ou vir após uma doença ou acidente ou com o envelhecimento.

        A Psicologia pode ajudar as pessoas a gerir melhor as suas vidas. Os psicólogos podem ajudá-lo a lidar com seus mal-estares como a convivência com a aids, o câncer ou outros estados crônicos.

        A Psicologia também pode ajudar no aconselhamento sobre como cuidar de crianças e lidar com adolescentes. Os Psicólogos podem ainda trabalhar com casais em dificuldades de relacionamento. Essa ajuda pode acontecer através da psicoterapia ou de entrevistas de aconselhamento.

        Os Psicólogos podem ajudar no desenvolvimento humano desde o seu nascimento até a sua morte. A Psicologia estuda os processos de ensino e de aprendizagem, identificando as suas inconsistências e problemas. A Psicologia também estuda os procedimentos adotados na educação e em programas de saúde.

        A Psicologia também pode ajudar pessoas com deficiências a lidar com o seu desempenho e as suas necessidades. Os psicólogos contribuem para adaptar as necessidades das pessoas aos seus ambientes e vice-versa.

        Existem muitos livros, blogs, revistas, programas de rádio e TV, reuniões religiosas ou vizinhos nos dizendo como levar a nossa vida. “Para ser o melhor naquilo que faz, você deveria… Não é desse jeito que se faz, não. É assim…” Será que essas orientações podem mesmo ser uteis para resolver os seus problemas?

        A Psicologia pode ajuda-lo sobre que faculdade cursar ou a escolha de uma carreira. Os psicólogos podem ajuda-lo como modificar suas carreiras e como seguir novos desafios profissionais.

        A Psicologia também pode ajudar gestores de empresas a organizar seus ambientes de trabalho. Os psicólogos selecionam, recrutam e treinam funcionários para cargos em empresas. A Psicologia pode ajudar as empresas a identificar os seus problemas de gestão.

        Muitos dos desafios que enfrentamos na nossa vida cotidiana e não conseguimos solucionar sozinhos de forma satisfatória podem ser facilitados com a ajuda de psicólogos.

A psicologia pode ajudá-lo em muitas áreas da sua vida

– A Psicologia pode ajudá-lo a lidar com a depressão, o estresse, o trauma ou as fobias;

– A Psicologia pode ajudá-lo a lidar com os efeitos da separação, da falta, da ausência ou da perda dos seus familiares e afetos;

– A Psicologia pode ajudá-lo a estabelecer e cumprir suas metas de parar de fumar, perder peso, aprender um novo idioma;

– A Psicologia pode ajudá-lo na recuperação de lesões ou doenças;

– A Psicologia pode ajudá-lo a potencializar o acesso a sua memória e a qualidade da sua atenção;

– A Psicologia pode ajudá-lo a aprender como se comunicar de forma mais satisfatória e a lidar com o medo de falar em público;

– A Psicologia pode ajudá-lo a lidar com o desenvolvimento dos seus filhos, com o seu relacionamento com seu pai, mãe e avos;

– A Psicologia pode ajudá-lo a se tornar mais produtivo e evitar a procrastinação;

– A Psicologia pode ajudá-lo nas suas atividades e desempenhos profissionais;

– A Psicologia pode ajudá-lo na tomada de decisões;

– A Psicologia pode ajudá-lo a compreender as suas ações e reações emocionais.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

O que um psicólogo faz? – Duração 3:37

Quais são os processos necessários para existir o sujeito?

        O que é “o sujeito”? Quais são os processos necessários para existir o sujeito? Como os sujeitos são construídos? Como saber se esses processos de construção do sujeito são eficazes ou não? A ideia de sujeito surge com a psicanalise após o surgimento da ideia de indivíduo no século 19. A ideia de indivíduo se sustenta através da normatização do que seria identidade. A ideia de identidade se fundamenta nas ideias construídas sobre o que seriam o sexo e o gênero. Como na política tudo acaba em pizza, na psicologia tudo começa no sexo.

        Vários teóricos rejeitam a ideia de que o ‘sexo’ seja uma entidade biologicamente determinada, como se acreditava a alguns anos atrás. Atualmente, elegeram, em substituição, a teoria de que “o sexo e a sexualidade são discursivamente construídos ao longo do tempo pelas diversas culturas” (Salih, 2015).

Sexo, uma definição

        “1. Conjunto de características que, nos seres humanos, nos animais e nas plantas, distinguem o sistema reprodutor, seus contrastes e suas interações (sexo feminino/masculino);

        3. Bras. Órgão sexual, masculino ou feminino;

        As características sexuais de um ser humano, cujo conjunto chamamos de ‘sexo’, são, na reprodução, transmitidas geneticamente pelo resultado da combinação do par de cromossomos que determina o sexo. Toda mulher tem um par de cromossomos X, e todo homem tem um cromossomo X e um Y. Assim, se nas combinações de cromossomos do feto resultar um par XX, este será do sexo feminino; se resultar um par XY, será do sexo masculino.

        Os órgãos do sistema reprodutor da mulher são o ovário, as trompas e o útero (e a vagina como receptáculo do pênis e do sêmen na relação sexual); os do homem são os testículos e a próstata (e o pênis como penetrador na vagina e ejaculador do sêmen na relação sexual). Os caracteres sexuais secundários são determinados pelos hormônios feminino (o estrogênio) ou masculino (a testosterona)” (Aulete, 2017).

Sexologia

        “Disciplina ligada à biologia, que toma por objeto de estudo a atividade sexual humana com um objetivo descritivo e terapêutico. A sexologia, ou “ciência do sexual”, constituiu-se no fim do século XIX […] cujo objetivo era estudar o comportamento sexual humano e lutar pela igualdade de direitos em matéria de prática sexual” (Roudinesco, 1998).  A sexologia considera o sexo uma atividade humana. A sexologia conhece a sexualidade como um comportamento humano, portanto, a sexualidade é algo estritamente humano. Não se considera sexualidade a pratica sexual realizada por outros animais.

Sexualidade, o ponto de vista da psicanalise

        “Todos os cientistas do fim do século XIX preocupavam-se com a questão da sexualidade, na qual viam uma determinação fundamental da atividade humana. Assim, faziam da sexualidade uma evidência e do fator sexual a causa primária da gênese dos sintomas neuróticos. Daí a criação da sexologia como ciência biológica e natural do comportamento sexual.

        Impregnado das mesmas interrogações que seus contemporâneos, Freud, no entanto, foi o único dentre eles a inventar (grifo meu) não a prova do fenômeno sexual, mas uma nova conceituação, capaz de traduzir, nomear ou até construir essa prova. Por isso, ele efetuou uma verdadeira ruptura teórica (ou epistemológica) com a sexologia, estendendo a noção de sexualidade a uma disposição psíquica universal e extirpando-a de seu fundamento biológico, anatômico e genital, para fazer dela a própria essência da atividade humana” (Roudinesco, 1998).

        Portanto, para a psicanalise, a sexualidade é uma entidade psíquica sem vínculo com a biologia, anatomia ou genitalidade, e totalmente independente do comportamento dos indivíduos. Podemos dizer que a psicanalise inventa (verbo utilizado pela Roudinesco) a existência de um ente denominado de sexualidade nos mesmos moldes que, na antiguidade, se inventou um ente chamado alma.

A morte do sujeito?

        Produzidos nas décadas de 1950 a 1970, estudos sobre gênero, sobre gays e lésbicas e sobre a teoria feminista consideram a existência de um sujeito preexistente.  O sujeito é definido como um ser, algo que existe a despeito de qualquer outra coisa. Assim como a alma existe e pronto, condição hipotética isenta de comprovação. O sujeito é antes de tudo um ser. Ou seja, esses estudos pressupõem que existem sujeitos. Esses estudos pressupõem que esses sujeitos são categorizáveis: um sujeito masculino, um sujeito feminino, um sujeito gay, um sujeito lésbica, o sujeito macho, o sujeito fêmea. “A teoria Queer empreende uma investigação e uma desconstrução dessas categorias, afirmando a indeterminação e a instabilidade de todas as identidades sexuadas” (Salih, 2015) e de gênero.

        A teoria Queer investigando a “constituição do sujeito supõe que sexo e gênero são efeitos – e não causas – de instituições, discursos e práticas” (Salih, 2015). Ou seja, nós não nascemos com o sexo e o gênero pelo qual somos identificados. O nosso sexo, o nosso gênero, a nossa sexualidade são criados ou causados pelas instituições, os discursos e as práticas.

        Sendo assim, “o sujeito não é uma entidade preexistente, essencial” (Salih, 2015). Do que se depreende que as nossas identidades são construídas, portanto “podem ser reconstruídas sob formas que desafiem e subvertam as estruturas de poder existentes” (Salih, 2015).

Referencias

AULETE DIGITAL. Acesso em 24 de fevereiro de 2017. Disponível em

ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

SALIH, Sara. Judith Butler e a Teoria Queer. Belo Horizonte: Autentica Editora, 2015.

Num crescente atinge o medo e pode triunfar no pânico

        Como é que você sabe que está ansioso? De repente, você se dá conta de uma situação. Essa situação lhe chama a atenção. A ansiedade começa num estado de atenção, podendo evoluir para uma apreensão, num crescente atinge o medo e pode triunfar no pânico. O que acontece com o organismo nessa dinâmica que tem origem na atenção e alcança o seu auge no pânico?

        No início, algo lhe chama a atenção. A única coisa que existe no mundo é aquele evento ou objeto (o estimulo) a sua frente. Seus movimentos ficam mais direcionados para aquele estimulo. Seus batimentos cardíacos mudam de ritmo. A sua respiração muda de ritmo. O ritmo fica mais intenso. Conforme a sua atenção se transforma em apreensão, você produz hormônios que aceleram os seus batimentos cardíacos. A sua respiração se torna mais rápida. Você busca cada vez mais oxigênio e não o processa. Você se concentra, sem consciência, na busca do primeiro alimento da sua vida fora do útero da sua mãe.

        O oxigênio é o alimento primordial de todo organismo vivo. Quer dizer, vivo como nos conhecemos o que seja estar vivo. A vida que compreendemos como vida necessita de oxigênio para existir. E a vida que conhecemos como existente é, fundamentalmente, constituída de carbono. Dois elementos químicos básicos para a existência de vida como conhecemos, oxigênio e carbono.

        O ciclo básico da vida que aprendemos no colegial: ingestão do gás oxigênio (O2) e eliminação de gás carbônico (CO2). A circulação das moléculas de O2 e CO2 garantem a manutenção da vida dos organismos. Outros elementos e substancias, além do O2 e do CO2, circulam na natureza e constituem uma complexa ecosfera.

O ciclo do oxigênio

        O ciclo do oxigênio é de fundamental importância para os organismos. O oxigênio existe nas mais diferentes combinações de compostos químicos. É no ar que encontramos a maior concentração de oxigênio para o uso dos organismos. Na atmosfera, o oxigênio pode ser encontrado como gás oxigênio, o O2, ou gás carbônico, o CO2.

        O oxigênio e o carbônico são usados pelos organismos para produzir energia. A energia produzida pelos organismos é trocada entre eles. Essa energia é reprocessada e reproduz mais O2 e mais CO2 num ciclo continuo de produção.

        O oxigênio é um elemento de diversas funções. A combinação de três átomos de oxigênio forma o gás ozônio que protege os organismos do planeta Terra contra as intensas irradiações solares

O pânico é excitação sem respiração

        A circulação de oxigênio é fator fundamental para o ciclo da ansiedade. Quando a sua ansiedade se intensifica, o seu coração bate mais rápido, o tempo da sua respiração diminui. O ciclo gás oxigênio-gás carbônico fica desequilibrado. Você inspira o O2, mas não respira no tempo necessário para processar o CO2. Então, você inspira mais O2 e não processa CO2. O seu sangue circula rapidamente, você produz uma enorme quantidade de hormônios, uma grande quantidade de pensamentos vai surgindo. Você está inundado de oxigênio e sente falta de ar. Você não sabe mais o que fazer na situação. Você entra em pânico, paralisa os movimentos, sai de si, sensação de morte, desmaia.

        Experimente: faça uma respiração lenta com pausas entre a inspiração e a expiração e tente ficar ansioso ao mesmo tempo.

        A vivencia de uma situação de estresse agita e acelera a produção de hormônios do organismo. Eventos estressantes muito além da capacidade de um organismo de lidar com eles, desestabilizam a sua firmeza e segurança, tornando-o vulnerável e impotente num mundo hiperperigoso. O que determina se um evento é estressante ou não, é a capacidade do organismo de lidar com esse evento. O estresse intolerável rompe com o equilíbrio do organismo, podendo paralisa-lo em um estado de hipervigilância e medo.

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        É a concentração no que está acontecendo consigo que você faz contato gradual com as suas sensações a respeito do estimulo que o deixa desestabilizado.

Referencias

Ciclo do oxigênio e sua importância. Acesso em 06 de agosto de 2017. Disponível em

O que é psicoterapia?

        O termo terapia tem sua origem na civilização grega, onde significa cuidado. O cuidado consiste de um procedimento realizado por algum especialista num determinado assunto. Tal procedimento resulta em benéficos ou melhorias para quem o recebe. “Este benefício é, portanto, uma mudança, e uma mudança para melhor”.

        Se em grego, o cuidado quer dizer terapia, em latim chama-se cura. A cura também implica num procedimento para melhorar uma situação. Tanto o cuidado quanto a cura indicam “a direção em que se deseja obter uma transformação”.

        Pois bem, o termo psico de origem grega significava alma, espirito, sangue e respiração. Podemos então traduzir para o português o termo psicoterapia como o cuidado da alma, a cura do espirito, o cuidado ou a cura do sangue ou da respiração.

        Mas do que cuida a psicoterapia? A psicoterapia seria um procedimento que resultaria em benefícios para quem o recebe. A psicoterapia, portanto, beneficia uma mudança na estrutura da alma, espirito, sangue ou respiração de um indivíduo. E como medir o benefício obtido na psicoterapia? Pela mudança ocorrida no beneficiado. E esta mudança só pode ser obtida com a participação ativa do interessado – o paciente.

        A psicoterapia era um método de trabalho usado pela medicina no final do éculo 19 e início do século 20. Esse método se propunha a curar as doenças nervosas por meios psíquicos e não por meios físicos. As doenças mais conhecidas na época eram a histeria, a neurastenia e a melancolia. Mas como saber se o paciente sofria de uma doença nervosa que necessitaria de um tratamento por meios psíquicos e não físicos? De modo geral, uma doença era considerada de origem nervosa se não tivesse causas físicas. A esta doença chamou-se neurose.

        Inicialmente, usou-se a hipnose como a técnica principal do método psicoterapêutico. O hipnotizador operava por meio da sugestão. O hipnotizador dizia ao paciente o que fazer para se liberar dos sintomas que o incomodavam.

 

        Freud chegou à conclusão de que a sugestão do hipnotizador não resolvia o problema do paciente. A sugestão do hipnotizador poderia silenciar o problema ou encobri-lo. Porém, cessada a sugestão, o problema retornava do mesmo jeito, as vezes mais agravado.

        Assim, Freud desaconselhou o uso da sugestão e recomendou o uso da neutralidade e da abstinência no tratamento psicoterapêutico. O dispositivo psicoterapêutico busca chegar aos problemas psíquicos do paciente pelos meios psíquicos. Portanto, ao psicoterapeuta é aconselhado ser neutro e privar-se de sugestionar o paciente.

        A psicoterapia, desde então, passou a ser um tratamento psíquico, cuja principal técnica é uma conversa terapêutica. Mas essa conversa se diferencia das demais conversas mundanas, por se tratar de uma conversa que visa a influir sobre o psíquico do paciente por meios psíquicos.

        Sendo assim, meu caro e minha cara, se você tem pressa, não faça psicoterapia esperando que o psicoterapeuta vá lhe dizer o que fazer para resolver os seus problemas. A psicoterapia é uma pratica artesanal, sutil e singular, pouco adequada “as exigências consumistas de felicidade imediata e sem esforço que marcam nossa sociedade atual”.

        A psicoterapia é composta por vários métodos terapêuticos. Cada método está articulado com uma concepção do que vem a ser o ser humano. Assim, cada método privilegia certos aspectos e exclui outros. E com toda a certeza, esses métodos não podem ser combinados visto que partem de concepções distintas do ser humano.

        Mostramos no post O que é psicologia? que não temos uma psicologia e sim várias psicologias coexistindo lado a lado. Da mesma maneira, existem várias psicoterapias coexistindo lado a lado, fundamentadas em diversas concepções do que vem a ser, ser humano.

 

Referencias

 

MEZAN, Renato. Psicanalise e psicoterapias. Estudos avançados 10 (27), 1996. Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em

 

O que é psicologia?

        Alguns diriam que a psicologia é o estudo da psique, da alma. Entre outros problemas, essa definição coloca a questão de saber-se o que é a alma. Ou aceitar a hipótese de que existe uma alma sem saber-se o que ela seja. Mas essa alma para ser estudada necessita estar encarnada num corpo, portanto, não existe psicologia sem biologia. Então, o que é psicologia?

        É também conhecida a definição de psicologia como o estudo da mente. Essa definição também traz a questão de saber-se o que é a mente. Outra definição quer que a psicologia seja a ciência que estuda o comportamento. Essa também levanta a questão de saber-se o que é o comportamento.

 

A psicologia como ciência natural

        A definição de ciência da alma torna a psicologia dependente de sistemas filosóficos antigos. Nesses sistemas, a alma, a psique, é tida como um ser natural. Um ser natural é algo que existe na natureza. A física trata a alma como a forma do corpo vivo e não como uma substancia independente da matéria.

 

A psicologia como ciência da subjetividade

        O nascimento da psicologia como ciência da mente data do século 18. A realidade do mundo não é o que percebemos. Mas a realidade do mundo depende do sujeito que a experimenta. Nasce a psicologia como ciência da subjetividade, do sujeito que experimenta.

        A psicologia da subjetividade se propõe a estudar a consciência de si ou a ciência do sentido interno. A psicologia tem o sentido de ciência do eu. Os problemas obtidos com essas definições remetem-nos a questão do que seja o sujeito e do que seja o eu.

 

A psicologia como ciência das reações e do comportamento

        A partir do século 19, uma nova psicologia passou a ser constituída. A mente e a subjetividade, antes, determinantes da experiencia, passam a ser o que serve aos órgãos e não mais o que se serve deles.

        Vemos coexistir lado a lado uma psicologia formada por diversas definições de psicologia. Uma psicologia fundamentada em distúrbios mentais, outra psicologia fundamentada numa ciência da patologia dos nervos. Uma psicologia dando ênfase a física do sentido externo, outra psicologia enfatizando o sentido do eu. E uma psicologia definida como o estudo de uma biologia do comportamento humano. Vemos coexistir diversas psicologias.

 

O que é psicologia?

        “Por não poder responder exatamente sobre o que é, tornou-se bastante difícil para o psicólogo responder sobre o que faz” (Canguilhem, 1956).

 

Comportamento e interação

        “A psicologia estuda interações de organismos, vistos como um todo, com seu meio ambiente. A psicologia se ocupa fundamentalmente do homem” (Todorov, 2007).

        Mais uma definição repleta de problemas. Entre tantas questões, é necessário saber-se o que é o homem e o que é esse todo que se observa do organismo.

        “Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação. Se, por acaso, o meio se modifica, formas antigas de comportamento desaparecem enquanto novas consequências produzem novas formas” (Todorov, 2007).

 

Comportamento

        “O comportamento não pode ser entendido isolado do contexto em que ocorre” (Todorov, 2007). O comportamento depende do ambiente em que ocorre. Bem como, o estimulo e a reação dependem do comportamento e do ambiente. Comportamento, ambiente, estimulo e reação são interdependentes. Um não pode ser definido sem referência ao outro.

 

Causa, efeito, contexto e interações

        Percebe-se que a causa que determina um efeito acontece apenas sob certas condições, certo contexto. Se mudarmos as condições, ou seja, as características atuais do contexto, o efeito não seguiria a mesma causa. O contexto também tem características temporais, quer dizer, o contexto é tudo aquilo que ocorre e já ocorreu para que uma causa resulte num certo efeito.

        O contexto ainda pode ser manipulado. Eu posso selecionar algumas variáveis como causa e designar outras como contexto. Eu posso manipular aquilo que observo.

        “Portanto, o termo ‘causa’ tem sentido apenas dentro de uma teoria ou modelo. Não há uma causa real de um dado evento. Há apenas modelos do mundo mais ou menos adequados, e sempre passiveis de modificação” (Todorov, 2007).

        Mas, afinal das contas, o que é psicologia? Nada mais sábio que o dito popular “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” ou “cada caso é um caso” ou ainda “cada um com seu cada um”. Talvez exista tantas psicologias quantas formas de vida. Quando pudermos definir o que é a vida, talvez possamos responder o que é psicologia.

O que é a psicologia? – Duração 2:09

 

Referencias

CANGUILHEM, George. O que é a psicologia? Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em

TODOROV, Joao Claudio. A psicologia como o estudo de interações. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 2007, vol. 23 n. especial, pp. 057-061. Acesso em 02 de março de 2017. Disponível em