Uma resposta de estresse descontrolada

        Há situações que mexem muito conosco e chegam a nos desestabilizar. Uma situação que mexa tanto conosco a ponto de nos desestabilizar pode ativar uma resposta de estresse descontrolada. A essas respostas de estresse intensas e descontroladas chamamos de luta ou fuga. Ou lutamos insanamente para readquirir o nosso estado anterior de conforto ou fugimos para nos proteger de uma agressão ambiente de proporções monstruosas.

        No início, uma situação aumenta o nosso nível de atenção, logo a seguir essa situação pode ser percebida como perigosa. Então passamos para um estágio de apreensão, onde nos postamos em forma endurecida, a respiração encurta e acelera, os nossos sentidos estão no máximo tônus de atenção. Esse estado de mobilização pode ser suficiente para dar conta da situação. Quando reconhecemos o nível baixo de periculosidade dos acontecimentos, nos reorganizamos para um nível mais baixo de atenção.

        Entretanto, a situação pode nos levar ao aumento do nível de atenção. É quando nos sentimos ameaçados, aumentamos mais ainda o tônus da atenção dos sentidos. A ansiedade aumenta, uma sensação de isolamento torna a situação estranha e arriscada. Estamos no limiar do medo.

        Ainda nesse ponto, podemos atacar o evento estranho que nos assusta como forma de afasta-lo. Ou, podemos fugir para longe do evento de forma que ele não invada o nosso espaço. Também podemos sentir tão ameaçados que não consigamos enfrentar nem fugir do evento constrangedor. O medo aumenta e o pânico já se aproxima.

        Sensações confusas, fantasias de risco de vida, a ansiedade aumenta, a imaginação invade a realidade, o medo é real, pois a morte é iminente. Os pensamentos não servem para nada nessa hora, aliás, eles são os primeiros a abandonar o barco. Um comportamento de entrega e submissão ao evento nos paralisa. O evento tomou conta de mim, estou só, imóvel. Não conseguimos mais decidir lutar ou fugir, estamos em pânico.

        “Quando não podemos avançar nem recuar, não conseguindo nos compor com a situação, ficamos no estado de ansiedade e pânico”. Quando o que afeta uma pessoa é excessivo para a sua capacidade de enfrentamento, ela sucumbe. O pânico é a resposta que a pessoa encontra para reagir a uma experiencia que excede a sua capacidade de enfrentamento. No pânico, uma experiencia que podia ser da afetação de um objeto externo é vivida como um objeto interno.

        A experiencia de atenção crescente se transforma em sensações de aceleramento dos batimentos cardíacos, falta de ar, pensamento de que vai morrer, etc. O pânico transforma o próprio corpo no estimulo estressante.

A percepção das emoções

        Como sabemos quando estamos sentindo uma emoção? como sabemos discriminar que emoção é essa que estamos sentindo? As emoções são constituídas por alterações respiratórias, cardíacas, vasculares, digestivas e musculares. Se uma pessoa consegue discriminar os componentes viscerais e musculares da emoção, ela consegue uma percepção dos seus sentimentos e da sua atitude frente ao estimulo que está provocando a emoção. Entretanto, poucas pessoas têm suficiente discriminação para perceber o tipo de emoção que sentem.

        A principal característica de uma pessoa que se encontra em pânico é a ausência total de percepção de suas emoções. Uma pessoa em pânico “se desliga”, torna-se ausente de si e da situação. Essa ausência de si provoca o estranhamento que a pessoa tem em relação ao seu corpo. O seu corpo é o inimigo. O inimigo que mora dentro dela.

        Incapaz de enfrentar ou de fugir do inimigo que mora dentro dela, a pessoa evita a consciência da emoção. Uma espécie de suicídio sem morte. Uma forma de assimilar a avalanche de sensações irrompidas.

        As pessoas aprendem, pela experiencia, padrões organizados de se comportar perante certas situações. Esses padrões de respostas cristalizados limitam os nossos comportamentos. Tendemos sempre a reagir de uma mesma maneira, diante de uma mesma situação. O padrão de comportamento das pessoas em pânico tende a desconexão da consciência diante de um estresse excessivo.

        “Na crise de Pânico, a pessoa vive um profundo estranhamento em relação às suas sensações corporais; seu corpo é vivido como uma fonte de ameaça. Essa é uma das características centrais do pânico: os perigos vêm de dentro, vêm do próprio corpo. O controle da hiperventilação, por meio de exercícios respiratórios específicos, é um recurso importante no controle das crises de Pânico”.

        “Podemos dizer que as causas do processo que leva ao pânico são experiências internas não assimiladas. A pessoa não consegue identificar o que está vindo junto com as crises, todas as experiências de vida que foram negadas, excluídas de seu mundo, e, assim, acaba tendo crises de pânico frente ao desconhecido que a invade por dentro”. 

Psicologia e Psicoterapia

“A alma não se conhece a si mesma, a não ser enquanto percebe as ideias das afecções do corpo” (Benedictus de Espinosa).

        Aprendemos pela experiência. A experiência cria padrões de comportamentos adaptativos aos estímulos, situações e ambientes. A ansiedade é gerada em qualquer contato com o desconhecido, pois ainda não formamos padrões de comportamento em reação ao que desconhecemos.

 Referencias

SCARPATO, Artur. O estranho que me habita: a Síndrome do Pânico numa perspectiva formativa. São Paulo: Revista Reichiana, número 10, 2001, p. 50-66. Acesso em 31 de outubro de 2013. Disponível em

 

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